Curiosidades

PorFrancisco Carapinha,17 jan 2021 8:54

Sendo o xadrez um jogo milenar, é natural que tenha sofrido alterações ao longo da sua existência, fruto da evolução dos tempos e do próprio jogo.

As peças e os seus movimentos foram as que, talvez, tenham sofrido alterações mais significativas.

Desde o tempo da Chaturanga, nome inicialmente atribuido ao jogo, em que já existiam peões, mas com menor mobilidade da que hoje têm, e que coexistiam, juntamente com o soberano, com os elefantes (antecessores dos bispos) ou com o vizir (conselheiro do soberano e que mais tarde veio a originar a dama), as peças do jogo sempre simbolizaram a existência de um exército em defesa do seu monarca, numa batalha que é a essência do próprio jogo.

Como podemos verificar, a Dama, ou Rainha, como alguns lhe chamam, não tinha assento no jogo, pois a sua função inicial, de conselheira do soberano, estava reservado ao vizir, situação que se veio a alterar (sem necessidade de qualquer manifestação feminista), por volta de 1400 quando, ainda com movimentos muito limitados, o conselheiro virou dama.

Mais tarde é que esta figura veio a conhecer a importância que hoje tem, com a maior mobilidade de movimentos de todas as peças do jogo.

Diria que passou de conselheira para ser ela a mandar em tudo. Esperemos é que com esta evolução não venham a inventar uma sogra, peça que certamente só poderia ter a função de atrapalhar o nosso jogo, beneficiando o adversário.

Mas nem sempre a qualidade do jogador foi aferida da mesma forma.

Segundo Rafael Leitão, o Grande Mestre brasileiro, durante os séculos XV e XVI o xadrez foi essencialmente um jogo de armadilhas.

O melhor jogador era aquele que sabia mais golpes e não o melhor estrategista. Com frequência essa forma de interpretar o xadrez ultrapassava as barreiras do tabuleiro.

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Uma prova disso é um curioso parágrafo do Tratado de Ruy Lopez, de 1561:

“Quando jogar, se for durante o dia, procure que o inimigo tenha o sol na cara, para que o cegue. Já se estiver escuro, e se jogue com fogo, faça com que o fogo fique à direita (do adversário), para que quando ele mova uma peça, a sua própria mão faça sombra, de modo que não veja bem onde coloca as peças. (…) Tudo isso faz parte para perturbá-lo”.

Esses ingénuos conselhos dão uma clara ideia do conceito que tinham os melhores xadrezistas da época.

Cabe realçar que, além de um dos melhores jogadores do mundo, o espanhol Ruy Lopez também era um padre. Para os padrões culturais actuais é estranho pensar que um padre dava conselhos tão velhacos e ainda os documentava em livro.

Já durante as actuais regras, foram efectuados cálculos matemáticos estabelecendo que o rei, partindo da sua casa inicial e seguindo o caminho mais curto, ou seja, em 7 lances, pode atingir a oitava (8ª) casa de 393 modos diferentes.

Num final de partida com o rei e a torre, contra rei, podem formar-se 216 posições diferentes de mate e num final de rei e dama contra rei as hipóteses aumentam para 364.

Talvez por isto é que o Xadrez, a par da Música e a da Matemática, são os únicos sectores da atividade humana em que se conhecem casos de crianças prodígio.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 998 de 13 de Janeiro de 2021. 

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Autoria:Francisco Carapinha,17 jan 2021 8:54

Editado porFretson Rocha  em  17 jan 2021 8:54

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