O lançamento decorreu na Cidade da Praia, numa sessão solene presidida pelo Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, que aproveitou a ocasião para anunciar uma pensão mensal de 75 mil escudos destinada aos jogadores pioneiros da selecção nacional pós-independência que se encontrem em situação de vulnerabilidade económica ou com problemas de saúde.
Na cerimónia de apresentação, o presidente dos CCV, Isidoro Gomes, afirmou que a emissão filatélica assinala um feito inédito alcançado graças ao empenho dos jogadores, treinadores e dirigentes, sublinhando que a iniciativa resulta de uma parceria com a Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF).
Segundo o responsável, a colaboração entre as duas instituições simboliza a união dos cabo-verdianos em torno de um objectivo comum e representa mais um momento marcante na história do país. Acrescentou que este é o quinto selo comemorativo dedicado a feitos do desporto nacional.
Segundo Isidoro Gomes, a instituição quis associar-se a este momento histórico, seguindo uma tradição que remonta a 1847, de registar, através dos selos postais, acontecimentos, personalidades e datas relevantes da história de Cabo Verde.
“Desde 1847 que os Correios destacam e imortalizam cabo-verdianos, Cabo Verde, datas, memórias e feitos através dos selos postais. Desta vez quisemos associar-nos a esta efeméride para a imortalizarmos e levá-la além-fronteiras, não só aos filatelistas, mas também aos cabo-verdianos residentes no exterior”, afirmou.
Por sua vez, o presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mário Semedo, considerou que o selo representa a resiliência do povo cabo-verdiano e simboliza a concretização de um objectivo perseguido durante décadas.
“Para a Federação isso é eternizar, digamos, o marco que é a nossa primeira participação no Mundial de Futebol e é muito importante porque o selo vai viajar pelo mundo como nós, os cabo-verdianos, viajamos também pelo mundo”, ressaltou Mário Semedo.
Governo cria pensão para antigos jogadores
Na sua intervenção, o Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, considerou a emissão do selo como “merecido e justo”, por assinalar a estreia cabo-verdiana na maior competição mundial de futebol, sublinhando que, por isso, deve ficar marcada na memória colectiva.
“Estes momentos são marcantes e, como disseram aqui, várias Copas do Mundo, se selos foram emitidos, nós tínhamos pouco a ver com a nossa presença, desta vez é a primeira presença e é merecido e é justo esta referência”, afirmou.

O Chefe do Governo, Ulisses Correia e Silva, afirmou que o percurso dos Tubarões Azuis representa a própria história do futebol cabo-verdiano, sublinhando o carácter colectivo e evolutivo da selecção nacional ao longo das últimas décadas.
É nesta senda que o Primeiro-Ministro anunciou a criação de uma pensão mensal de 75 mil escudos para os jogadores pioneiros da selecção nacional pós-independência, sublinhando que se trata de uma decisão preparada ao longo dos últimos meses e não recente. Segundo indicou, deverão ser abrangidos pela medida cerca de quatro ou cinco antigos internacionais.
Ulisses Correia e Silva recordou as dificuldades enfrentadas pela primeira selecção de Cabo Verde no período pós-independência, sublinhando que os jogos eram disputados em condições precárias no Estádio da Várzea, onde havia “pedras metidas dentro do campo”.
O Primeiro-Ministro destacou que, nessas condições, vários jogadores representaram o país em competições regionais africanas, na zona 2 da África Ocidental, há cerca de 50 anos, no período logo após a independência.
“Esses jogadores, alguns não estão entre nós, outros, poucos, estão. Alguns estão com dificuldades, vivem com dificuldades de vulnerabilidade económica, alguns com problemas de saúde.”
Referentemente à participação de Cabo Verde no Mundial, Ulisses Correia e Silva augurou um bom resultado e manifestou o desejo de que a selecção nacional passe a fase de grupos.
“Mas não vamos colocar pressão excessiva sobre os nossos jogadores. Entram em campo, 11 contra 11, e o resultado que sair é o resultado da boa competição que nós vamos fazer”, concluiu.
Características do selo
O selo foi concebido pelo artista plástico Tutu Sousa, que explicou ter procurado transmitir, através do design, a força, a determinação e a ambição dos cabo-verdianos, integrando igualmente elementos que representam o apoio da diáspora à selecção nacional.
Conforme o artista, a composição inclui elementos gráficos como a mão com o dedo erguido, simbolizando a estreia de Cabo Verde no Mundial, e a disposição de estrelas que remete tanto para as ilhas do arquipélago como para a diáspora.
Tutu Sousa destacou ainda que o selo pretende reforçar o “Tubarão Azul” como marca identitária da selecção nacional e evidenciar o apoio do público, transmitindo confiança no percurso da equipa na competição.
O presidente dos Correios indicou que o selo já está disponível em duas versões, com valores faciais de 40 e 60 escudos, destinados ao correio nacional e internacional, respectivamente.
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BCV vai emitir moeda comemorativa em homenagem aos Tubarões Azuis
O Banco de Cabo Verde foi autorizado pelo Governo a emitir uma moeda comemorativa de 200 escudos, como forma de perpetuar a homenagem aos Tubarões Azuis pela qualificação histórica para o Mundial de Futebol de 2026.
A medida está publicada no Boletim Oficial, através do Decreto-Regulamentar n.º 3/2026, que autoriza o BCV a emitir moedas metálicas com o valor facial de 200 escudos, até ao limite máximo de 24.250 unidades.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1280 de 10 de Junho de 2026.
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