Alejandro Casamor: “Temos de estar onde os nossos clientes querem ir”

PorAndre Amaral,4 fev 2018 6:49

Alejandro Casamor, General Manager do Hilton Cabo Verde Sal Resort
Alejandro Casamor, General Manager do Hilton Cabo Verde Sal Resort

​Com uma oferta diferenciada e uma atitude diferente, o Hilton pode marcar a abertura de uma nova forma de encarar o turismo em Cabo Verde. Distanciando-se do típico all inclusive este novo hotel promete maior contacto entre os seus clientes e a economia de Santa Maria.

“Nós acreditamos que os clientes têm de sair, têm de conhecer o país. Porque se não o que vai diferenciar este hotel de outro noutro destino qualquer?”, pergunta o General Manager, Alejandro Casamor que lança também o alerta: apesar das melhorias “todo o processo de desalfandegamento tem de ser muito mais rápido”.

A chegada do Hilton ao Sal marca uma diferença na oferta turística tradicional. O que vos fez apostar em Cabo Verde?

No Hilton estamos sempre à procura dos destinos em que os nossos clientes estão mais interessados e o Sal é um destino que, há já vários anos, a procura tem vindo a aumentar. E a aumentar muito sobretudo junto dos cliente dos norte da Europa, nomeadamente da Alemanha, países nórdicos e Grã-Bretanha. Então nós temos sempre que pôr no nosso directório de hotéis espaços onde os nossos clientes querem ir. Então, o Sal tinha de ser. Tínhamos de estar em Cabo Verde.

Vocês não se incluem no tradicional mercado do all-inclusive e isso implica que os hóspedes do hotel possam sair e procurar outros espaços na cidade. Santa Maria tem capacidade para responder às exigências de quem vos procura?

Acredito que sim. Santa Maria tem muitos restaurantes, muitas áreas de lazer para que os nossos clientes possam aproveitar as suas férias. É como disse, não tem de ficar o tempo todo no hotel, pode sair para conhecer a cultura, fazer compras, conhecer o que é Santa Maria que é uma cidade que tem muito charme e muito encanto. Nós acreditamos que os clientes têm de sair, têm de conhecer o país. Porque se não o que vai diferenciar este hotel de outro noutro destino qualquer? O que torna as férias inesquecíveis para os nossos clientes é isso, poder sair para conhecer um pouco de tudo. Não acreditamos que mais um all inclusive seja necessário aqui.

Isso abre portas a um turismo diferenciado uma vez que, ao contrário dos all inclusive, vocês, ao abrirem as portas, estão a promover um turismo mais justo.

Claro. É claríssimo que ajuda muito mais a economia da cidade e do país ter um turismo que esteja focado na abertura, em que os clientes possam vir, possam sair do hotel e gastar dinheiro nos negócios locais e fazer com que a economia floresça em vez de ser apenas o hotel e apenas o que está relacionado com o hotel.

Quais têm sido as vossas maiores dificuldades desde que chegaram aqui ao Sal?

Em primeiro lugar, desde que chegamos ao Sal, a maior dificuldade foi acabar o hotel. Mas primeiro que tudo a maior dificuldade que sentimos e continuamos a sentir é ao nível da importação. É muito difícil encontrar recursos aqui no Sal para a construção, a gestão e manutenção do hotel. Os processos na alfândega estão muito melhores mas acredito que todo o processo de desalfandegamento tem de ser muito mais rápido. Tudo isso tem que mudar para que a gestão seja mais fácil.

O discurso das autoridades nacionais tem sido o de se apostar na produção local a nível alimentar. Vocês seguem essa política de comprar em Cabo Verde, ou têm uma cadeia de abastecimento?

Compramos em Cabo Verde. Tentamos sempre comprar o máximo cá em Cabo Verde. Por exemplo tentamos que no nosso restaurante tudo seja local, mas não é fácil, por vezes fica difícil encontrar alguns produtos. Aí temos de importar, mas sempre que possível procuramos trabalhar com os produtos locais, porque são produtos sazonais, produtos frescos que estão próximos. Assim também estamos a ajudar à economia do país, à economia da ilha. Depois, eu acredito que os nossos clientes não vêm aqui para comprar as comidas que já podem encontrar nos seus países. Têm de encontrar frutas que se produzam aqui, o peixe que se pesca aqui. Por exemplo, seria uma loucura estar a importar peixe quando aqui no mar temos dos melhores peixes.


Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 844 de 31 de Janeiro de 2018.

Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião. Comente ou partilhe este artigo.

Autoria:Andre Amaral,4 fev 2018 6:49

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  15 nov 2018 3:23

pub.
pub

Últimas no site

    Últimas na secção

      Populares na secção

        Populares no site

          pub.