Índia quer relação empresarial de longo prazo com Cabo Verde

PorLourdes Fortes, Rádio Morabeza,28 jan 2019 10:36

Rajeev Kumar
Rajeev Kumar(Rádio Morabeza)

O embaixador da Índia em Cabo Verde, Rajeev Kumar, afirma que a Índia quer uma relação empresarial de longo prazo com o arquipélago. As oportunidades de negócio Índia-Cabo Verde foram um dos temas da edição do Panorama 3.0, da Rádio Morabeza, na última sexta-Feira.

Educação, Saúde, Tecnologias, Biotecnologia, farmacêutica, energia solar. Alguns dos sectores que, segundo Rajeev Kumar, podem interessar aos empresários indianos que perspectivam investir em Cabo Verde.

Que oportunidades de negócio Cabo Verde pode oferecer à Índia?

Cabo Verde tem muitas oportunidades. Cabo Verde é um país muito jovem e acho que isto é um recurso muito bom nesta época de tecnologia. Os recursos humanos são muito importantes.

Os sectores em Cabo Verde que podem ser mais atractivos para as empresas indianas são a informática, farmacêutica, biotecnologia, energia solar. Em sentido contrário, os empresários podem ver como podem beneficiar das vantagens que a Índia tem.

Um dos empresários que veio comigo teve que ir à embaixada de Cabo Verde em Dakar cinco vezes. O representante da Exim Bank, quando chegou aqui, teve que pagar duas coisas, o visto e taxas, demorou entre 45 a 50 minutos

Dos sectores apontados, sublinhou, por exemplo, a educação, a saúde como outros sectores em que a Índia pode ser uma mais-valia para Cabo Verde. Nestes sectores, especialmente, como é que pode esta cooperação funcionar?

Os jovens podem aproveitar das bolsas que a Índia oferece a cada ano. Quando eu cheguei em 2016, a utilização das bolsas era zero e agora pelo menos têm interesse. No ano passado, acho que três ou quatro pessoas foram para a Índia estudar e este ano temos nove lugares. Espero que estas vagas sejam utilizadas. Estas bolsas são uma oportunidade para os jovens cabo-verdianos estudarem tecnologia, mas também é uma oportunidade de aprenderem inglês. 

Já enviámos um programa de tele-educação e telemedicina ao governo de Cabo Verde e estamos à espera da resposta. Se o programa for aceite, os cabo-verdianos podem, a partir daqui, obter a experiência da Índia através da Internet. Os médicos em Cabo Verde podem contactar os médicos da Índia e podem partilhar experiências.

Para além da barreira linguística, há também a questão da diferença cultural. Como ultrapassar esta barreira?

Este é o meu esforço. Se existe lacuna de informação, então, temos que dar informações. Uma vez partilhadas estas informações, os dois lados vão fazer negócio porque isso é automático, é um processo natural. 

Há também a barreira da distância, mas acho que uma vez que o negócio começa a ser realizado, estas barreiras vão desaparecer. 

Esta aposta da Índia no mercado cabo-verdiano, tendo em conta localização geo-estratégica do país, é vista como uma oportunidade para entrar na região?

Sim, mas numa segunda fase, eu acho. A minha responsabilidade é abrir portas. Cabo Verde tem, sim, uma localização estratégica, mas isso são as empresas indianas é que têm que ver. Mas também acho que é responsabilidade do governo de Cabo Verde mostrar que tipo de benefícios os indianos podem ter aqui. É muito difícil para os indianos chegarem aqui. O processo de visto é muito complicado. Um dos empresários que veio comigo teve que ir à embaixada de Cabo Verde em Dakar cinco vezes. O representante da Exim Bank, quando chegou aqui, teve que pagar duas coisas, o visto e taxas, demorou entre 45 a 50 minutos com os polícias no aeroporto do Sal, onde entrou vindo de Abidjan. Este tipo de coisas é como dizer às empresas que não são bem-vindas, os governo de Cabo Verde tem que mostrar aos empresários, às empresas, que as portas estão abertas. A isenção de vistos é uma coisa que vai facilitar mais. Por exemplo, no Senegal, os indianos não precisam de visto e hoje temos quase sessenta empresas indianas instaladas no Senegal. A questão do visto parece que não é uma coisa importante, mas é importante. Este tipo de barreiras tem de ser quebrado. 

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Autoria:Lourdes Fortes, Rádio Morabeza,28 jan 2019 10:36

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  19 fev 2019 20:19

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