Líderes xiitas do Iraque alertam contra arrastamento do país para guerra EUA-Irão

PorExpresso das Ilhas, Lusa,20 mai 2019 16:23

Yahya Rasoul
Yahya Rasoul

​Alguns líderes xiitas iraquianos alertaram hoje contra tentativas de empurrar o país para uma guerra entre os Estados Unidos e o Irão, numa altura em que o Iraque ainda está em recuperação.

O aviso surgiu horas depois de um míssil ter atingido a zona verde (área mais segura de Bagdade após a invasão do Iraque, em 2003), aterrando a menos de 1,5 quilómetros da embaixada dos EUA.

Nenhum ferimento foi relatado e nenhum grupo reivindicou ainda o ataque de domingo à noite.

Pouco depois, o Presidente Donald Trump publicou, na rede social Twitter, um aviso para que o Irão não volte a ameaçar os Estados Unidos sob pena de enfrentar “o seu fim oficial”.

Na semana passada, os Estados Unidos mandaram sair do Iraque todo o pessoal diplomático não essencial, aumentando a tensão na região.

A Casa Branca enviou também navios de guerra e bombardeiros para o Golfo Pérsico na sequência de alegadas ameaças iranianas.

O porta-voz militar do Iraque, o brigadeiro Yahya Rasoul também divulgou hoje no Twitter que as forças armadas de Bagdade estão a trabalhar “dia e noite” para garantir a segurança dos cidadãos, das missões estrangeiras e das empresas locais e internacionais.

Hoje, dois influentes religiosos xiitas e um líder político – todos com fortes ligações ao Irão – avisaram que o Iraque pode ser, mais uma vez, apanhado no meio de um confronto.

O país tem mais de 5.000 militares norte-americanos no seu território, mas também muitas milícias apoiadas pelo Irão, algumas das quais exigem a saída das forças dos Estados Unidos.

O líder religioso xiita iraquiano Moqtada al-Sadr afirmou hoje que qualquer partido político que arraste o Iraque para uma guerra Estados Unidos-Irão “é um inimigo do povo iraquiano”.

“Essa guerra seria o fim do Iraque”, considerou Moqtada al-Sadr, lembrando que o que o país precisa é “de reconstrução”.

Também Qais al-Khazali, líder da Asa’ib Ahl al-Haq (ou Liga iraniana do Grupo dos Justos, um grupo paramilitar xiita iraquiano activo na guerra civil iraquiana e na guerra civil síria), divulgou no Twitter que se opõe a operações para “fornecer pretextos para uma guerra” e acrescentou que isso só “prejudicaria as condições políticas, económicas e de segurança do Iraque”.

Para o Iraque, de maioria xiita, ser palco de guerras por procuração não é novo.

O país está na linha divisória entre o Irão xiita e o mundo árabe sunita, liderado pela Arábia Saudita, e tem sido o cenário da rivalidade saudita-iraniana pela supremacia regional.

Depois da invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003, para derrubar o ditador Saddam Hussein, soldados norte-americanos e milícias apoiadas pelo Irão foram protagonistas de várias batalhas no país.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,20 mai 2019 16:23

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  21 nov 2019 23:21

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