Governo e Tâmega Energy assinam contrato de construção

PorAndre Amaral,8 jun 2019 9:35

O Governo assinou, esta semana, na Calheta de São Miguel o acordo para a construção daquela que será a maior central de produção foto-voltaica do país. Os 10MW de potência instalada permitirão reduzir as emissões de gases poluentes em 11.800 toneladas.

O contrato foi assinado esta terça-feira entre o Governo, a Eletra e a Tâmega Energy, empresa portuguesa responsável pela construção da central fotovoltaica.

Durante a cerimónia, o Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, afirmou que  foi “um dia marcante para São Miguel, para Santiago Norte e para Cabo Verde. A Calheta de São Miguel albergará uma central fotovoltaica de 10MW. Significa uma contribuição importante para a produção de energia renovável e para a execução do nosso plano de transição energética”.

As previsões iniciais apontam para uma diminuição da pegada ecológica nacional após a entrada em funcionamento da central. “O impacto sobre o ambiente foi aqui demonstrado: menos 11.800 toneladas por ano de emissão de CO2, tem impacto a nível da economia. Queremos reduzir a nossa dependência de combustíveis fósseis, com impacto na balança de pagamentos e na factura energética do país e das famílias”, disse o primeiro-ministro.

Para Ulisses Correia e Silva ontem foi o dia que marcou uma nova etapa na produção de energia eléctrica em Cabo Verde.

“O dia de hoje marca, também, o arranque de uma nova geração de produção de energia renovável em Cabo Verde. Através de um processo de contratação competitiva, com um investimento 100% privado, em parceria com o Estado de Cabo Verde, e preço de fornecimento inferior ao custo de produção térmica e muito inferior ao contrato em vigor da mesma natureza estabelecido no passado”, apontou.

Aumentar a taxa de penetração

“É de facto um conjunto de vantagens que não faz apenas reproduzir aquilo que é só investimentos na energia renovável mas estamos a inovar”, reforçou.

Os dados avançados pelo primeiro-ministro serviram para demonstrar que Cabo Verde está “a fazer uma forte aposta nas energias renováveis. Em 2018, a produção térmica reduziu em 3% e a produção global de energia renovável aumentou em 20%. Este investimento irá contribuir para um acréscimo de 5% a nível nacional e fará passar o nível de penetração das energias renováveis em Santiago de 17 para 25%. Só estes números dizem qual a dimensão do impacto esperado deste investimento”.

Com o objectivo de alcançar 30% de penetração de energias renováveis até 2025, o primeiro-ministro mostrou-se confiante no futuro. “Seguramente chegaremos lá antes dessa data. E queremos ultrapassar os 30% até 2030. Até 2030 serão investidos em Cabo Verde 250 MW de produção renovável. Oito vezes a capacidade actual”.

Tendo em vista os valores a alcançar, o primeiro-ministro aproveitou a ocasião para anunciar dois novos projectos de produção usando a energia solar e éolica.

“Hoje estamos a dar um passo importante neste percurso que traçamos. Dois outros projectos estão em fase de apresentação de propostas. 10MW de energia eólica em São Domingos e 5 MW de energia solar na Boa Vista. Todos estes projectos em curso irão aumentar a nossa capacidade de produção de energia renovável em cerca de 75%”.

Mas não será só na redução de custos que a construção desta central terá impacto.

“Tem um impacto importante na dinamização do emprego quer na fase de construção como de instalação – estão previstos 100 empregos – de nível de qualificação elevado”, disse Ulisses Correia e Silva.

“Incentivos para a promoção da massificação da microprodução de energias renováveis foram criados e reforçados no Orçamento do Estado para 2019. Para além dos benefícios fiscais no Orçamento do Estado as famílias e as micro e pequenas empresas beneficiam de bonificação de taxa de juro em 50% em empréstimos destinados a investimentos na microprodução de energia renovável e queremos estender esta cobertura, nomeadamente nas escolas”, concluiu.

Herménio Fernandes quer mais

“Este projecto representa a nossa ambição de transformar São Miguel numa plataforma para a fixação de grandes empreendimentos e indústrias em Santiago Norte”, disse o autarca da Calheta de São Miguel, Herménio Fernandes.

O edil realçou igualmente a sustentabilidade ecológica e a viabilidade económica deste investimento, sem deixar de realçar o grande impacto no mercado local, particularmente no que tem que ver com as oportunidades de empregos qualificados e com remunerações competitivas para os quadros do município.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 914 de 5 de Junho de 2019. 

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Autoria:Andre Amaral,8 jun 2019 9:35

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  8 jun 2019 19:03

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