O mar para lá do óbvio deu o mote para o regresso da Expomar

Feira marcada por contexto de retoma procurou realçar oportunidades da economia azul nas áreas do turismo e artesanato.

Três anos depois da última edição, a Expomar regressou na última semana ao calendário de feiras de Cabo Verde. Com a FIC sem instalações próprias em São Vicente, o certame ocupou o pavilhão onde habitualmente funciona o centro de processamento de pequenas encomendas da ENAPOR. Os “desafios do turismo náutico na Macaronésia” serviram de mote para os três dias de evento.

Para Jorge Maurício, presidente da Câmara de Comércio de Barlavento, a Expomar é uma feira “de extrema importância” que, nesta retoma, ficou marcada por uma “viragem”. Fazendo jus ao lema escolhido, registou-se um aumento do número de expositores ligados a actividades turísticas.

“É uma consciencialização daquilo que o mercado pode oferecer. Isto não víamos há três anos. Tivemos cerca de 50 expositores, a maior parte na área de prestação de serviços, de muitos privados nacionais, locais a oferecerem serviços interessantes do ponto de vista do turismo, do lazer, da exploração subaquática, da culinária, de reutilização do lixo depositado no mar para trabalhos de artesanato. É assim que temos que trabalhar para melhorar a condição de vida das pessoas”, comenta.

O líder associativo salienta a importância de a Expomar continuar sediada no Mindelo, centro nacional da economia azul.

Também a administradora da FIC, Angélica Fortes, realça a diversificação de actividades representadas, facto que interpreta como uma lição aprendida durante a pandemia.

“A pandemia criou uma consciência de que devemos tentar explorar outras alternativas, há aqui muitas empresas, algumas que surgiram depois da pandemia. Acho que há esta necessidade de diversificar a economia e esta feira está a mostrar que as pessoas estão conscientes disto”, nota.

A responsável recorda que as potencialidades do mar não se resumem aos recursos pesqueiros.

Empresas

No total, a Expomar 2022 contou com 54 expositores nacionais e estrangeiros, com representações de Açores, Madeira e Canárias. Um desses expositores foi a Mindel Jet Club, representada por Américo da Luz. Recém-chegada ao mercado, a Mindel Jet Club é especializada no aluguer de motas de água e organização de voltas à ilha.

“Estamos a começar agora, ainda não há muita divulgação. Também estamos a resolver com o Instituto Marítimo Portuário e com a Câmara Municipal para desenvolver a nossa actividade, por exemplo, no acesso às praias, a criação de um corredor destinado a motas de água, sem colocar em perigo os banhistas”, realça o responsável.

“A nossa perspectiva é oferecer, ao nível do turismo, um serviço que ajude a qualificar o destino, ter um número suficiente de motas de água. Primeiro, temos que criar as condições de segurança marítima, estamos no começo, ainda há muita coisa para oferecer”, perspectiva.

A actuar no mesmo segmento, a Road Runner Rentals, que aluga equipamentos para desportos náuticos e moto 4, também passou pela Expomar. Rosaly Oliveira não tem dúvidas de que a diversificação de oferta a que se assiste visa preencher lacunas que existiam.

“Penso que é um serviço diferenciado. Vamos entrar em Novembro, época alta do turismo. Em Agosto tivemos emigrantes, foi um bom mês para nós. Achamos que temos que começar a olhar para as várias oportunidades que o mar oferece e empreender”, estabelece a responsável. “As perspectivas são boas”, acrescenta.

Artesanato

Também o artesanato esteve em destaque nos corredores do certame, com mostras de produtos inspirados no oceano. A SIMILI foi ao mar buscar a sua inspiração. Artesãos locais usam lixo recolhido nas praias para produzir peças únicas, como explica a co-fundadora do projecto, Helena Moscoso.

“O mar foi o motor para iniciar o projecto. Sempre que íamos ao mar víamos cada vez mais plásticos, mais redes e aí decidimos tentar fazer algo que mostrasse o que era possível fazer a partir do lixo deixado nas praias”, lembra.

Bolsas ecológicas, bijuterias e brinquedos fazem parte do catálogo da SIMILI, que tem um atelier em Salamansa, onde trabalha com as mulheres da comunidade.

“Se por um lado estamos a trabalhar para minimizar esta problemática da poluição dos oceanos, por outro, agregamos valor aos materiais com a reciclagem, gerando rendimento para as famílias”, refere.

Carlos Delgado, da marca “Nôs Mar, Nha Vida”, esteve pela quarta vez na feira de actividades ligadas ao mar. Nas suas criações usa búzios, conchas, areias e materiais reciclados, em mais uma prova em como a economia azul também pode ser feita de economia criativa.

“Quando não tens trabalho, és pobre, começas a olhar à volta para encontrar uma solução O mar tem uma riqueza que nos dá. Eu não pesco, mas há 30 anos que vivo do mar, daquilo que produzo a partir do mar. Isso dá-nos a obrigação de preservá-lo”, destaca.

O próximo evento promovido pela FIC será a Expotur, em Santa Maria, no Sal, de 21 a 23 de Outubro. Em Novembro, a Feira Internacional de Cabo Verde regressará a São Vicente, na sua edição 25, agendada para os dias 16, 17, 18 e 19.

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira, Lourdes Fortes,8 out 2022 8:42

Editado porAndre Amaral  em  1 dez 2022 23:28

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