De acordo com o Relatório de Transição e Eficiência Energética do INE, em sentido contrário, 45,8% disseram ter adoptado alguma medida de poupança energética.
Os dados mostram, contudo, que a preocupação económica é o principal factor por detrás destas mudanças, sendo que 95,6% dos inquiridos apontaram a redução dos custos como a razão que os levou a alterar os seus comportamentos.
As preocupações ambientais, de saúde ou outras motivações representam apenas uma pequena parcela das respostas, correspondendo aos restantes 4,4%.
Entre as medidas mais frequentes adoptadas pelas famílias está o desligamento dos equipamentos eléctricos e electrónicos quando não estão em utilização, prática indicada por 79,2% daqueles que afirmaram ter feito algum esforço para reduzir o consumo.
A redução do tempo de utilização dos equipamentos surge como a segunda medida mais referida, com 56,6%, seguida da substituição de lâmpadas por modelos de baixo consumo energético (41,3%) e da redução da abertura frequente da porta do frigorífico (40,8%).
Outras práticas mencionadas incluem evitar passar a ferro pequenas quantidades de roupa (36,7%), utilizar a máquina de lavar apenas quando está totalmente cheia (32,3%) e realizar manutenção ou limpeza periódica dos equipamentos (18,3%). Apenas 13,1% afirmaram ter optado pela compra de equipamentos eléctricos e electrónicos mais eficientes como forma de reduzir o consumo.
A Boa Vista apresenta os resultados mais favoráveis, com 74,4% dos indivíduos a afirmarem ter realizado alguma acção para diminuir o consumo de electricidade, enquanto nas ilhas da Brava e de São Vicente, apenas 36,1% dos inquiridos afirmaram ter adoptado medidas de poupança, enquanto 63,9% disseram não ter feito qualquer esforço nesse sentido.
Por meio de residência, o estudo indica que as zonas urbanas apresentam uma maior proporção de pessoas que adoptaram práticas de redução do consumo quando comparadas com as zonas rurais.
As mulheres apresentam uma proporção ligeiramente superior de adopção de medidas de poupança energética em comparação com os homens.
O relatório mostra que, apesar de a maioria dos agregados familiares ter acesso à electricidade, a transição energética ainda tem pouca expressão no interior das habitações.
Em 2024, 92,9% dos alojamentos estavam cobertos pela rede eléctrica, enquanto 7,1% permaneciam sem acesso. A cobertura é superior no meio urbano, com 94,3%, contra 88,6% nas zonas rurais.
No entanto, quando analisada a origem da electricidade, cerca de 98,7% dos alojamentos têm como principal fonte de electricidade a rede pública, enquanto apenas 0,4% indicaram os painéis solares como principal fonte de energia.
O INE aponta ainda que praticamente a totalidade dos agregados familiares não dispõe de equipamentos associados à transição energética, como baterias eléctricas, mini-turbinas eólicas ou painéis solares para produção de electricidade e aquecimento de água.
No consumo energético doméstico, o gás continua a ser a principal fonte utilizada para cozinhar, estando presente em 85,1% dos alojamentos.
A lenha aparece como a segunda fonte mais utilizada, representando 11% dos agregados familiares. A utilização é particularmente elevada no meio rural, onde chega a 33,1% dos alojamentos, enquanto no meio urbano representa apenas 4%.
Quando considerados os últimos três meses anteriores ao inquérito, 29% dos agregados afirmaram ter recorrido a esta fonte para cozinhar, além de 96,8% que indicaram o uso de gás.
O relatório revela que cerca de 0,2% dos alojamentos utilizaram excrementos ou dejectos de animais como fonte de energia para cozinhar nesse período, sendo esta prática predominante no meio rural.
Em relação aos custos energéticos, os dados do INE indicam que os agregados familiares cabo-verdianos gastam, em média, 3.640 escudos mensais com electricidade.
A maioria dos alojamentos (66,7%) declarou ter uma despesa mensal entre 1.001 e 5.000 escudos, enquanto 17,2% indicaram gastos entre 5.001 e 10.000 escudos.
Por ilha, o Sal apresenta o maior gasto médio, com cerca de 5.516 escudos mensais, enquanto Santo Antão regista o valor mais baixo, com uma média de 2.442 escudos.
Foto: depositphotos
homepage







