Mais de 84% da população realizou trabalho não remunerado em 2025, com mulheres a suportarem a maior carga

PorSheilla Ribeiro,10 jul 2026 8:10

Em 2025, cerca de 84,8% da população cabo-verdiana com 15 ou mais anos realizou trabalho não remunerado, num total de 317.916 pessoas. As mulheres foram as principais responsáveis por este tipo de atividades, com uma taxa de participação de 93,0%, face aos 76,7% registados entre os homens, segundo as estatísticas sobre Outras Formas de Trabalho divulgadas esta quinta-feira, 9, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O INE explica que as outras formas de trabalho dizem respeito a atividades laborais realizadas sem qualquer remuneração ou compensação financeira, incluindo o trabalho para consumo próprio, o trabalho voluntário, os cuidados prestados a pessoas dependentes e os afazeres domésticos.

De acordo com o instituto, este tipo de trabalho constitui uma dimensão frequentemente invisível e subvalorizada da economia e da sociedade.

Apesar de não gerar rendimento direto, desempenha um papel essencial no funcionamento dos agregados familiares, das comunidades e da economia em geral.

Os dados divulgados foram calibrados com base nas estimativas da população calculadas a partir dos resultados definitivos da projeção demográfica 2010-2040.

No total, dos 374.871 indivíduos com 15 ou mais anos existentes em Cabo Verde, 317.916 realizaram algum tipo de trabalho não remunerado, correspondendo a uma taxa de realização de 84,8%.

A análise por sexo mostra que 93,0% das mulheres realizaram trabalho não remunerado, contra 76,7% dos homens, traduzindo-se numa diferença de 16,3 pontos percentuais.

Em média, cada indivíduo despendeu 15,2 horas por semana em trabalho não remunerado. Entre as mulheres, a média foi de 19,1 horas semanais, enquanto os homens dedicaram 10,3 horas, ou seja, menos 8,8 horas por semana.

Produção para consumo próprio

Em 2025, 55.784 pessoas com 15 ou mais anos realizaram trabalho de produção para consumo próprio, o equivalente a uma taxa de realização de 14,9%.

Os homens apresentaram uma taxa ligeiramente superior à das mulheres, com 15,1% contra 14,7%.

A incidência deste tipo de trabalho foi mais elevada no meio rural, onde 35,1% da população desenvolveu atividades de produção para consumo próprio.

Quanto ao tempo despendido, os homens dedicaram mais horas do que as mulheres em todos os tipos de produção analisados.

O INE verificou ainda que os agregados familiares com baixo nível de conforto foram os que mais recorreram a este tipo de trabalho, registando uma taxa de realização de 36,7%.

Entre estes agregados, aqueles representados por mulheres apresentaram uma taxa superior (42,3%) à dos representados por homens (29,7%), uma diferença de 12,6 pontos percentuais.

Relativamente ao trabalho voluntário, envolveu 13.026 pessoas com 15 ou mais anos durante a semana de referência, correspondendo a uma taxa de realização de 3,5%.

A participação foi ligeiramente superior entre as mulheres, com 3,8%, face aos 3,1% observados entre os homens.

Por local de residência, o meio urbano registou a maior proporção de pessoas envolvidas em trabalho voluntário, com uma taxa de 3,8%.

O tempo médio dedicado ao voluntariado foi de 4,4 horas por semana. Os homens dedicaram, em média, 4,4 horas semanais, enquanto as mulheres despenderam 4,3 horas.

Quanto às condições dos agregados familiares, os agregados com nível de conforto muito alto apresentaram a maior participação no trabalho voluntário, representando 34,3%.

Entre os agregados representados por mulheres com pelo menos um membro a realizar trabalho voluntário, verificou-se uma distribuição entre os níveis de conforto muito baixo (24,1%) e muito alto (24,5%).

Afazeres domésticos

As atividades de afazeres domésticos no próprio agregado ou no agregado de um parente envolveram 303.160 pessoas com 15 ou mais anos, correspondendo a uma taxa de realização de 80,9%.

Enquanto 91,6% das mulheres realizaram este tipo de tarefas, apenas 70,2% dos homens o fizeram.

O INE assinala igualmente que a realização de afazeres domésticos aumenta à medida que cresce o nível de instrução frequentado.

Em média, a população dedicou 9,2 horas por semana aos afazeres domésticos. As mulheres despenderam 11,4 horas semanais, contra 6,5 horas entre os homens.

Os cuidados prestados a crianças, idosos ou pessoas com necessidades especiais no próprio agregado envolveram 126.998 pessoas, o equivalente a uma taxa de realização de 33,9%.

45,6% das mulheres afirmaram realizar este tipo de cuidados, enquanto entre os homens a taxa foi de 22,2%.

Também neste indicador as mulheres dedicaram mais tempo às atividades de cuidado, com uma média de 12,2 horas semanais, face às 8,5 horas registadas entre os homens.

No que respeita aos cuidados prestados a pessoas dependentes noutro agregado, o INE contabilizou 24.609 pessoas com 15 ou mais anos, correspondendo a uma taxa de realização de 6,6%.

As mulheres voltaram a apresentar uma participação superior, com 8,5%, enquanto entre os homens a taxa foi de 4,7%.

O tempo médio dedicado a este tipo de trabalho foi estimado em 9,0 horas semanais. As mulheres despenderam, em média, 10,2 horas por semana, ao passo que os homens dedicaram 6,9 horas.

Segundo o instituto, os agregados familiares com nível de conforto muito baixo foram os que mais realizaram este tipo de trabalho, representando 27,8% do total.

Foto: depositphotos

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Autoria:Sheilla Ribeiro,10 jul 2026 8:10

Editado porAndre Amaral  em  10 jul 2026 11:19

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