O líder do PAICV, Francisco Carvalho, afirmou na noite eleitoral que os cabo-verdianos “falaram com clareza” e decidiram por uma mudança política no país, reivindicando uma vitória expressiva e a abertura de um novo ciclo governativo. Já o primeiro-ministro cessante e líder do Movimento para a Democracia, Ulisses Correia e Silva, anunciou a sua saída da liderança partidária e o afastamento da vida política activa, após a derrota nas eleições legislativas de 2026, assumindo o fim de um ciclo prolongado de governação e de participação institucional.
Espaço também para a análise.
Para o analista político João de Deus Carvalho, o veredito das urnas nas legislativas de 17 de Maio abriu uma nova página na vida política cabo-verdiana. A vitória do PAICV com maioria absoluta marca um claro desejo de mudança por parte do eleitorado, ao mesmo tempo que levanta interrogações sobre a capacidade da futura governação responder às elevadas expectativas criadas durante a campanha. Nesta entrevista, Carvalho analisa o significado político da derrota do MpD, o impacto da elevada abstenção na legitimidade democrática e os desafios que aguardam Francisco Carvalho à frente de um país confrontado com fragilidades estruturais, sobretudo no sector dos transportes.
Já Ludgero Correia defende que o MpD perdeu antes da campanha começar e o PAICV ganhou uma maioria que será difícil de gerir. Pela frente, antevê "dias terríveis" no Parlamento e uma governação que em muito dependerá da capacidade do novo Primeiro-Ministro de vencer as próprias mágoas.
Para David Leite a vitória do PAICV assenta tanto na comunicação política como no desgaste do poder e abre um novo ciclo político marcado pela tensão entre promessas ambiciosas e os limites dos recursos do país.
Espaço, igualmente, para a análise feita, em directo, durante a noite eleitoral, pelos analistas convidados pela Rádio Morabeza.
Outro tema em destaque na edição desta semana é o da declaração de emergência de saúde pública continental por causa dos surtos de ébola que verificam no continente africano.
Por causa disso o Africa CDC declarou uma emergência de saúde pública de segurança continental, uma decisão que marca um dos níveis mais elevados de alerta sanitário na arquitectura de saúde pública da União Africana. A medida surge na sequência do agravamento de surtos epidémicos em várias regiões do continente, com impacto crescente sobre sistemas de saúde já sob pressão e com recursos limitados.
A ler igualmente o artigo de opinião ‘Praia: A Cidade que se Lê em Passos’ de Manuel Brito-Semedo
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