A força da maçã e canela, o mimo da abóbora e especiarias, a doçura do cappuccino e a alegria da laranja e especiarias são os cheiros fortes das principais velas criadas por Andrea da Cruz e Catarina Almeida, que têm as raízes na ilha de São Nicolau.
Aprenderam a fazer velas e perfumadores num curso em Portugal e decidiram aproveitar este conhecimento para dar um cunho muito especial aos produtos, homenageando a mulher, nomeadamente a mulher africana e as suas várias facetas, das quais a força é apenas uma delas.
"Nós vamos muito buscar esta força da mulher, porque é o que nós queremos transmitir na nossa marca: O empoderamento feminino", disse à Lusa Catarina Almeida, que, com Andrea da Cruz, criou, em 2023, a Nubian Scent (aroma núbio).
Através dos aromas, aos quais atribuem um determinado significado, as artesãs pretendem "dar visibilidade à mulher africana", na qual ambas se revêem, prosseguiu.
"Somos mulheres, somos africanas. A nossa infância foi baseada em mulheres africanas que influenciam bastante a maneira como vivemos hoje e como crescemos, os hábitos que temos. Essa é a nossa inspiração, o que nos é familiar e nos cheira a casa", disse.
Catarina Almeida trata mais da imagem dos produtos e Andrea da Cruz é a "cientista" da equipa, embora ambas ponham a mão na massa, que neste caso é cera, soluções alcoólicas e essências.
As duas, que trabalham na área da gestão de informação e projectos, baptizaram as quatro velas que são os pilares dos seus produtos e que apresentam como quem introduz uma pessoa.
A Abayomi (maçã e canela) nasceu da força da mulher africana, a Asake (abóbora e especiarias) foi criada para lembrar que a mulher precisa de uma pausa para cuidar de si, a Niara (essência de cappuccino) é o lado mais doce da mulher e a Ayodele (laranja e especiarias) traz a alegria de volta a casa.
Cada vela é ilustrada com a imagem de uma mulher africana, com os cabelos presos em tecidos coloridos, desenhados pelas mãos de Catarina.
E foi durante a criação dos seus produtos e da vontade de incluir nos mesmos a marca de Cabo Verde que decidiram utilizar na produção dos difusores uma base alcoólica com a marca do país da morabeza.
"Descobri que o grogue é uma base alcoólica bastante forte, superior a 70%, e sugeri à Catarina para, em vez de usarmos um álcool qualquer, usarmos o grogue como base alcoólica, que acaba por caracterizar ainda mais o nosso projecto, porque o grogue é a bebida de Cabo Verde", disse Andrea.
O objectivo foi facilitado pelo facto de a família de Andrea produzir grogue em Portugal, e da satisfação por perceberem que esta solução tem um efeito "surpreendentemente positivo" na produção de sprays para a casa e difusores de vários aromas.
"Além da utilidade e de ter resultado bem, há um factor emotivo, porque é a bebida de Cabo Verde e vai remeter mais uma vez às nossas origens", além de ser algo inédito, prosseguiu.
Numa das viagens a Cabo Verde, as jovens entregaram ao Presidente da República, José Maria Neves, uma vela que criaram a pensar no arquipélago e sobretudo do mar que rodeia as ilhas, escolhendo por isso a forma de um barco.
Em Lisboa, prosseguem com acções de formação, onde ensinam o que já sabem e aprendem sempre mais, além de estarem presentes em variadas feiras de artesanato.
Nestes convívios, falam muitas vezes com conterrâneos, a quem desafiam a descobrir o "ingrediente secreto" dos difusores, sendo este facilmente desvendado quando apresentado como a bebida da terra da morna.
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