ONU denuncia forte aumento de vítimas infantis e recrutamento de menores

PorExpresso das Ilhas, Lusa,28 jul 2018 9:04

A ONU alertou hoje para um aumento expressivo do número de crianças mortas ou feridas e do recrutamento de menores por parte de grupos armados, durante os últimos meses da guerra na Síria.

Desde o início de 2018, as Nações Unidas constataram mais de 7.000 crianças mortas ou feridas e 1.200 actos de violência perpetrados contra meninos, com mais de 600 menores assassinados ou mutilados.

A representante especial do secretário-geral da ONU para Crianças e Conflitos Armados, a argentina Virginia Gamba, revelou também ao Conselho de Segurança que mais de 180 menores foram recrutados por grupos armados na Síria.

"A maior parte dos actos graves de violência contra crianças ocorreram no contexto das ofensivas militares de vários atores, nas áreas de Afrín, Hama, Idleb, Ghouta Oriental e Deraa", explicou Gamba.

De acordo com a ONU, as estatísticas indicam um crescimento claro de situações durante a primeira metade deste ano, comparativamente com períodos homólogos anteriores.

Entre Janeiro e Março, por exemplo, aumentou em 348% os homicídios e as mutilações de crianças, relativamente ao trimestre anterior.

O número total de violações graves no primeiro trimestre deste ano cresceu 109% e o recrutamento e utilização de crianças pelos grupos armados aumentou 25%, comparativamente com os três meses anteriores, disse Gamba.

Segundo a ONU, a maior parte desse recrutamento é da responsabilidade de grupos da oposição ao regime, ainda que a maioria das mortes e dos feridos entre as crianças se atribuem às forças governamentais sírias e aos seus aliados.

Gamba deu a entender que todos os registos podem ser muito piores, dadas as dificuldades de acesso a muitas partes da Síria e aos problemas para verificar informações.

Os menores na Síria foram hoje o tema na reunião mensal do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação humanitária na Síria, com os Estados-membros a aproveitarem também para fazer uma análise mais ampliada do curso do conflito.

As potências ocidentais criticaram a ofensiva militar que o regime de Damasco está a levar a cabo no sudoeste do país e advertiram das consequências devastadoras que poderão registar-se caso o Governo opte por uma estratégia militar na província de Idleb, o grande reduto da oposição.

"Uma campanha militar do regime sírio em Idleb parecida como a que vimos em Ghouta Oriental ou em Alepo resultaria numa crise humanitária desastrosa", disse o representante adjunto dos Estados Unidos, Jonathan Cohen.

Segundo a ONU, mais de dois milhões de pessoas residem actualmente em Idleb, mais de metade são deslocados de outras zonas do país.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,28 jul 2018 9:04

Editado porAndre Amaral  em  21 set 2018 3:22

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