UNESCO assinala Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos com um apelo à lucidez

PorExpresso das Ilhas, ONU News,23 ago 2020 9:04

A Arca do Retorno, o memorial permanente para honrar as vítimas da escravatura e do comércio transatlântico de escravos, na entrada da sede da ONU, em Nova Iorque.
A Arca do Retorno, o memorial permanente para honrar as vítimas da escravatura e do comércio transatlântico de escravos, na entrada da sede da ONU, em Nova Iorque.

Data lembra os 229 anos da revolta na Ilha de Santo Domingo, que levou à independência do Haiti. Celebrações são lideradas pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, UNESCO.

Este 23 de Agosto assinala-se o Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e sua Abolição. Em nota, a directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, recorda que a data honra a memória de homens e mulheres que “se revoltaram em Santo Domingo abrindo caminho para o fim da escravidão e da desumanização”, em 1791.

Foi naquela noite que a então ilha abrigou o movimento que “teria um papel crucial na abolição do tráfico transatlântico de escravos”.

Com a revolta, o Haiti tornou-se a primeira república governada por descendentes de africanos.

Azoulay afirma que esse capítulo da história mundial deve servir de lição para “desconstruir os mecanismos retóricos e pseudocientíficos” que viabilizaram o crime da escravatura e da escravidão.

A chefe da UNESCO destaca que “a lucidez é o requisito fundamental para a reconciliação da memória e o combate a todas as formas análogas à escravidão actuais, que continuam a afectar milhões de pessoas, especialmente mulheres e crianças”.

A UNESCO lembra os princípios do projecto intercultural “A Rota dos Escravos” como uma oportunidade para uma reflexão colectiva sobre as causas históricas, os métodos e as consequências “dessa tragédia humana”.

A agência quer também que sejam analisadas as interacções entre África, Europa, Américas e o Caribe.

A Arca do Retorno, o memorial permanente para honrar as vítimas da escravatura e do comércio transatlântico de escravos, na entrada da sede da ONU, em Nova Iorque.
A Arca do Retorno, o memorial permanente para honrar as vítimas da escravatura e do comércio transatlântico de escravos, na entrada da sede da ONU, em Nova Iorque.

O Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e sua Abolição ocorreu pela primeira vez, em 1998, com eventos culturais e debates no Haiti e na área de Goree, no Senegal, no ano seguinte.

A França abriu as portas para as celebrações em 2001.

O Museu Têxtil de Mulhouse realizou uma oficina de tecidos chamados indiennes de traite, uma espécie de chita que servia de moeda no comércio de escravos nos Séculos 17 e 18.   

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Autoria:Expresso das Ilhas, ONU News,23 ago 2020 9:04

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  3 dez 2020 23:20

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