ONU suspende ajuda no Sudão do Sul por falta de financiamento

PorExpresso das Ilhas, Lusa,13 set 2021 15:41

O Programa Alimentar Mundial (PAM) anunciou hoje que vai ser forçado a suspender a ajuda alimentar, a partir do próximo mês e até Janeiro, a mais de 100.000 pessoas deslocadas no Sudão do Sul, por falta de financiamento.

Um total de 106.000 pessoas que vivem na capital do país, Juba, a cidade noroeste de Wau e num condado, em Bor, no centro do Sudão, serão afectadas, disse o PAM, acrescentando que precisava de 154 milhões de dólares (131 milhões de euros) para evitar novos cortes neste apoio.

"Os tempos difíceis exigem medidas drásticas. Somos obrigados a tomar estas decisões dolorosas e a esticar os nossos recursos limitados para satisfazer as necessidades críticas das pessoas à beira da fome", afirmou o director nacional do PAM, Matthew Hollingworth, numa declaração.

"Se os níveis de financiamento continuarem a diminuir, poderemos não ter outra escolha senão fazer mais cortes à medida que as necessidades das comunidades vulneráveis continuarem a ultrapassar os recursos disponíveis", referiu.

O anúncio surge pouco depois de o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) ter relatado que 380.000 pessoas tinham sido afectadas por fortes inundações, que atingiram terras agrícolas, submergiram casas e deslocaram famílias no país mais pobre do mundo.

No mês passado, o OCHA alertou para uma falha de financiamento, dizendo ter recebido apenas 54% dos 1,7 mil milhões de dólares necessários para financiar os seus programas no país.

Mais de 82% dos 11 milhões de pessoas do país vivem abaixo do limiar da pobreza, segundo o Banco Mundial, e 60% da população sofre de fome provocada por conflitos, secas e inundações.

Desde que obteve a independência do Sudão, em 2011, o país mais jovem do mundo tem sido flagelado por uma crise económica e política crónica e está numa luta para recuperar da guerra civil, que deixou quase 400.000 mortos e quatro milhões de deslocados entre 2013 e 2018.

Ao abrigo de um acordo de paz de 2018, Salva Kiir e Riek Machar, adversários durante a guerra civil, participam agora num governo de unidade nacional, o primeiro como Presidente e o segundo como vice-presidente.

Mas este governo está sob constante ameaça de lutas pelo poder que estão a atrasar a implementação do acordo de paz e a alimentar a violência e a crise económica.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,13 set 2021 15:41

Editado porAndre Amaral  em  16 set 2021 9:19

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