"Se alguém cometer um erro e pensar que pode escapar com um ataque à Polónia ou a qualquer outro aliado, será confrontado com toda a força desta aliança feroz", afirmou Rutte, ao lado do primeiro-ministro polaco, Donald Tusk.
Numa declaração aos jornalistas durante a visita que está a efetuar à Polónia, Rutte insistiu que a reação NATO "será devastadora" se for atacada e fez questão de mencionar o nome do presidente da Rússia.
"Isto tem de ser muito claro para Vladimir Vladimirovich Putin e para qualquer pessoa que nos queira atacar", afirmou, segundo as agências espanhola Europa Press e francesa AFP.
Rutte afirmou que os aliados não devem esquecer que "a Rússia é a ameaça mais importante e mais séria" para a NATO.
"Não esqueçamos que a Rússia está a caminhar para uma economia de guerra e isso terá um grande impacto na capacidade de desenvolver as suas forças armadas", disse, segundo a agência espanhola EFE.
O antigo chefe do Governo dos Países Baixos destacou o papel da liderança da Polónia na defesa do flanco oriental da NATO, a Organização do Tratado do Atlântico Norte.
"A Polónia é um contribuinte vital para a defesa coletiva da NATO", afirmou o secretário-geral da Aliança Atlântica.
Rutte salientou as despesas de defesa das autoridades polacas, que este ano dedicarão 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB) ao reforço das capacidades militares e de segurança.
Tusk disse que no meio das negociações russo-americanas sobre a guerra na Ucrânia, em que os parceiros europeus foram postos de lado, a NATO enfrenta cenários "não 100% escritos" pela organização.
Por isso, insistiu que o artigo 5.º da Aliança Atlântica "continua em vigor".
"Esta confirmação é algo muito importante aqui em Varsóvia, especialmente numa altura em que há tantas interpretações, instabilidade e em que a geopolítica está a mudar diante dos nossos olhos", afirmou o líder polaco.
Sobre a questão, Rutte disse que conta com o compromisso do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para com uma "NATO forte".
"Mas ele [Trump] também deixou claro que a Europa deve dar um passo em frente e a Polónia está a dar um passo em frente", acrescentou.
O artigo 5.º do tratado da Aliança Atlântica de 1949 estabelece que um ataque contra um dos países membros é considerado um ataque a toda a NATO e pode resultar numa resposta individual ou coletiva no exercício do direito de legítima defesa.
O artigo em causa foi acionado uma vez, em 2001, pelos Estados Unidos, na sequência dos ataques terroristas do 11 de setembro.
A NATO, de que Portugal é um dos países fundadores, conta atualmente com 32 membros, depois da adesão da Finlândia (2023), e da Suécia (2024), devido à invasão da Ucrânia pela Rússia em Fevereiro de 2022.
Antes da invasão, Putin exigiu garantias em forma de tratados de que a Ucrânia e a Geórgia nunca fariam parte da NATO e que os aliados recuariam para as posições anteriores ao alargamento a Leste.
Desde a dissolução da União Soviética, em 1991, a NATO acolheu alguns dos países ou novos Estados que faziam parte da esfera de Moscovo, como a República Checa, a Hungria e a Polónia, em 1999.
Seguiram-se Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia e Roménia (2004), Croácia (2009), Montenegro (2017) e Macedónia do Norte (2020).
A Albânia, que integrou até 1968 o Pacto de Varsóvia, a aliança militar patrocinada pela União Soviética, aderiu à NATO em 2009.