Na sessão "Desinformação e Democracia", que decorreu hoje, na Assembleia da República, em Lisboa, Delphine Colard destacou que a manipulação informativa deixou de ser um fenómeno marginal para assumir uma dimensão estrutural nas democracias contemporâneas, com impacto direto nos parlamentos, considerados "fronteira das democracias representativas liberais".
Entre os exemplos referidos pela responsável estiveram campanhas que visam lançar dúvidas sobre a fiabilidade dos sistemas de votação, divulgar instruções falsas aos eleitores ou criar narrativas fabricadas sobre alegados incidentes no hemiciclo europeu.
Delphine Colard recordou que, após resoluções críticas do PE em relação à Rússia, circularam histórias falsas sobre ataques violentos na instituição e alegadas tentativas de silenciamento político, promovidas pelo Kremlin.
A responsável da instituição europeia sublinhou que estas ações não se limitam à distorção do debate público, podendo contribuir para polarização social e, em casos extremos, para episódios de violência.
Perante este cenário, Delphine Colard explicou que o Parlamento Europeu pretende reforçar o enquadramento legislativo, nomeadamente através do Digital Services Act, diploma que impõe novas obrigações às plataformas digitais e estabelecem regras para o uso de sistemas de Inteligência Artificial (IA), responsáveis por fomentar cada vez mais desinformação.
Foi ainda referido o desenvolvimento do chamado "Escudo da Democracia Europeia", iniciativa que articula recomendações parlamentares, cooperação entre Estados-membros e implementação prática das novas regras, com o objetivo de proteger o espaço público digital.
A estratégia europeia aposta também na prevenção, com programas de formação interna, guias de apoio para eurodeputados e funcionários e iniciativas de literacia mediática dirigidas ao público.
Segundo Delphine Colard, a instituição recebe cerca de dois milhões de visitantes por ano, o que é visto como uma oportunidade para promover ações de sensibilização junto de estudantes, professores e criadores de conteúdos.
No mesmo debate, a investigadora Inês Sousa Guedes salientou que as notícias falsas têm maior probabilidade de serem disseminadas quando despertam emoções fortes, como medo ou indignação.
Foto: depositphotos
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