Num relatório de execução orçamental de 2025, o Governo aponta que a produção global de energia elétrica no país foi de 14.408.381 MegaWatt-hora (MWh), uma execução de 76,7% em relação ao plano anual e menos 25,4% face a 2024.
"A baixa produção deveu-se em grande medida ao fraco desempenho das centrais hídricas, que no período em análise, registaram um grau de execução de 72,3% e um decréscimo de 30,7% face ao mesmo período de 2024", lê-se.
Acrescenta que o país "é o maior produtor de hidroeletricidade na África austral" e que "quase toda a sua produção provém da HCB", com 2.075 MegaWatts (MW), "complementada por outras pequenas barragens sob gestão" da Eletricidade de Moçambique.
Em 2025, segundo o relatório, as centrais hídricas geraram 11.207.934 MWh, menos 30,7% face a 2024, desempenho explicado "em grande medida, pelos efeitos do fenómeno El Niño que afetam a central da HCB desde 2023".
"A escassez de precipitação na bacia do Zambeze [onde funciona a HCB] reduziu a disponibilidade de água nas principais albufeiras do país (Corumana, Mavuzi e Chicamba), culminando no ano hidrológico de 2024/25 com o pior registo pluviométrico dos últimos 43 anos", acrescenta.
A falta de disponibilidade de energia está no centro de um diferendo que levará a Mozal, a maior indústria do país, a suspender a atividade em 15 de março, afetando cerca de 25 mil empregos, diretos e indiretos.
A australiana South32 considera "totalmente insustentável" a tarifa de energia proposta à fundição de alumínio Mozal, em Maputo, justificando assim o seu encerramento, sem descartar reativar a maior indústria moçambicana, se as condições mudarem.
Numa recente chamada com investidores australianos, a cuja transcrição a Lusa acesso em 06 de março, sobre a apresentação dos últimos resultados do grupo que lidera a Mozal e outras fundições, o diretor-executivo, Graham Kerr, explicou que a "única oferta formal" para fornecimento de energia pela Eskom foi de quase 100 dólares por MegaWatt-hora (MWh), quando, "fora da China, menos de 1%" das fundições têm contratos acima de 50 dólares por MWh.
A proposta, disse, tornaria a operação em Maputo, uma das maiores fundições em África, "totalmente insustentável", já que a energia representa "um terço da estrutura de custos" da Mozal.
Esta fundição precisa de 950 MWh para funcionar 24 horas por dia, ainda garantida pela HCB, via a sul-africana Eskom, cujo contrato de fornecimento termina este mês e o valor máximo admitido pela South32 foi de 51 dólares: "Para nós, esse era o limite. A Eskom não consegue igualar isso e nunca chegou perto".
Acrescentou que a explicação oficial de Moçambique é a seca na albufeira da HCB, em Tete: "Por volta desta altura, no ano passado, começaram a dizer-nos que, depois de dois anos de seca severa, não tinham capacidade para fornecer as necessidades energéticas da Mozal. Isso exigiria provavelmente pelo menos dois anos para a albufeira voltar a encher e depois ainda têm alguma manutenção que precisam de fazer, o que significa que provavelmente não teremos energia plena durante os próximos dois a quatro anos".
A unidade entra em suspensão e manutenção em 15 de março, num custo de cinco milhões de dólares anuais, com uma "estimativa de encerramento e reabilitação" de 119 milhões de dólares, disse Kerr, garantindo que a Mozal trabalhou sempre "de perto" com o Governo moçambicano.
"Não consideraríamos avançar para um encerramento total até que o contrato de energia da HCB e o seu futuro fossem esclarecidos, porque, quando voltarem a operar plenamente, terão muita energia e poucos clientes. Portanto, isto pode voltar a ser viável no futuro", disse Kerr, alertando que o "desafio" de "reiniciar uma fundição" é "muito difícil".
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