No seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo, referente ao ano passado, a organização internacional acusa a administração Trump de "políticas racistas e anti-imigrantes" que resultaram na separação de famílias, limitação ao acesso ao asilo, deportações ilegais e condições desumanas para migrantes.
Ao iniciar o seu segundo mandato, em 2025, Trump utilizou declarações de emergência nacional para facilitar deportações em massa, o que, segundo a organização, transformaram ideologias de supremacia branca em política federal.
Algumas comunidades específicas, como os latino-americanos e os somalis foram alvos específicos das medidas anti-imigrantes.
No final do ano passado, foi lançada uma operação, sobretudo nas cidades de Minneapolis e Saint Paul, para aumentar drasticamente as detenções que acabou por criar uma crise -- já em 2026 - com a morte de dois cidadãos norte-americanos por agentes federais.
O país é também criticado no relatório pelos "assassinatos patrocinados pelo Estado", já que "forças armadas dos EUA realizaram bombardeios e execuções extrajudiciais na América Latina, no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, alegando combater 'narcoterroristas'", e pela interferência em questões internas de outros países, quer com campanhas de desinformação, quer fornecendo armas em regiões em conflito.
Para a Amnistia, uma das principais violações cometidas pelos Estados Unidos em 2025 foi a imposição de sanções contra procuradores e juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI) e contra o Relator Especial da ONU para o Território Palestiniano Ocupado.
Sanções que abrangeram também organizações palestinianas de direitos humanos e que a Amnistia considera que tiveram como objetivo "proteger cidadãos israelitas e norte-americanos de serem responsabilizados".
As "transferências irresponsáveis de armas" são também criticadas, sobretudo o enorme apoio militar a Israel, que "contribuiu para a perpetuação de crimes ao abrigo do direito internacional", defende.
Mas a organização de direitos humanos critica também os "cortes abruptos na ajuda internacional" anunciada pela administração Trump logo no início do seu segundo mandato.
Os cortes resultaram na "interrupção de programas de saúde e no acesso a medicamentos essenciais em países de baixo rendimento, prejudicando grupos marginalizados", refere, lembrando que os principais prejudicados foram precisamente os países mais vulneráveis.
A repressão foi, de acordo com a Amnistia Internacional, uma conduta habitual dos Estados Unidos em 2025, quer através da retoma de execuções federais, quer pelo uso excessivo de força para combater protestos e intimidar jornalistas, ou pela revogação de proteções para pessoas LGBTI e para cuidados de saúde reprodutiva.
Entre as dezenas de acusações, conta-se também o incentivo da administração Trump à expansão de combustíveis fósseis, a corrida aos minerais essenciais, intensificando a "exploração de recursos naturais e os impactos ambientais", além do recuo em medidas de proteção ambiental e incentivo ao uso de combustíveis fósseis.
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