Os temas que deverão dominar a cimeira entre China e EUA

PorExpresso das Ilhas, Lusa,13 mai 2026 7:18

A cimeira entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, na quinta e sexta-feira, em Pequim, visa estabilizar a relação entre as duas maiores potências mundiais, marcada por rivalidades e tensões persistentes.

Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente.

Seguem-se os principais temas na agenda de Donald Trump e Xi Jinping:

Comércio e contratos estratégicos

O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem setores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.

Vários analistas apontaram igualmente para a possibilidade de criação de um comité bilateral de comércio, destinado a facilitar trocas em áreas consideradas não sensíveis, como a eletrónica de consumo.

Empresas dos Estados Unidos manifestaram, contudo, preocupação de que questões estruturais, como o acesso ao mercado chinês e a proteção de investimentos, possam ser relegadas para segundo plano.

No último ano, a China registou um excedente comercial recorde, embora as exportações para os Estados Unidos tenham diminuído significativamente.

Tarifas e litígios comerciais

A questão das tarifas aduaneiras deverá ser central para Pequim, que pretende prolongar a trégua acordada com Washington após um período de forte escalada entre as duas economias.

Trump, contudo, insistiu em manter tarifas associadas a práticas comerciais consideradas desleais e ao alegado papel chinês na crise do estupefaciente fentanil nos Estados Unidos.

Decisões judiciais recentes em tribunais federais limitaram parte dessas medidas, mas o Governo norte-americano iniciou novas investigações que poderão conduzir à imposição de tarifas adicionais, com impacto direto sobre produtos chineses.

Conflitos no Médio Oriente e no Irão

A guerra no Médio Oriente e no Irão deverá funcionar como pano de fundo da visita, inicialmente adiada exatamente devido a este conflito.

O Governo norte-americano pretende que Pequim utilize a sua influência para pressionar o Irão a aceitar compromissos diplomáticos.

Embora menos exposta a eventuais perturbações energéticas, devido às suas reservas, a economia chinesa enfrenta efeitos indiretos da instabilidade regional.

Terras raras e rivalidade tecnológica

O domínio da China na produção de terras raras, essenciais para indústrias tecnológicas e de defesa, deverá ser um dos pontos mais sensíveis das negociações.

Estes recursos são fundamentais para cadeias de abastecimento globais, desde a eletrónica de consumo até aos sistemas militares avançados.

Os Estados Unidos procuram assegurar a continuidade das exportações chinesas, num contexto de crescente competição tecnológica.

Taiwan como foco geopolítico

A questão de Taiwan deve voltar, mais uma vez, a marcar as conversações entre Trump e Xi, com Pequim a insistir numa revisão da política norte-americana relativamente à ilha, que considera parte do seu território.

Declarações recentes de Donald Trump, sugerindo que Taiwan podia suportar os custos da própria defesa, suscitaram dúvidas quanto ao compromisso de Washington com a segurança do território.

Analistas anteciparam a adoção pela China de uma abordagem cautelosa, evitando provocar diretamente os Estados Unidos e privilegiando uma estratégia diplomática gradual.

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EUA China

Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,13 mai 2026 7:18

Editado porSara Almeida  em  13 mai 2026 8:19

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