Em conferência de imprensa no final de uma visita a Vílnius, feita cerca de uma semana depois de drones terem entrado no espaço aéreo da Lituânia e da Letónia, Ursula von der Leyen afirmou que, "hoje, infelizmente, ataques híbridos, interferências externas e desinformação estão a acontecer com cada vez mais frequência".
"Os Estados-membros confrontados com essas ameaças devem poder contar com a solidariedade europeia e é por isso que acredito que a Europa deve desenvolver um protocolo para este tipo de situações híbridas", sustentou.
A presidente da Comissão Europeia frisou que esse protocolo "permitiria a rápida mobilização de todos os instrumentos disponíveis na União Europeia (UE)", acrescentando que "a dissuasão é a melhor estratégia para preservar a paz".
Perante os chefes de Estado e de Governo da Lituânia, Letónia e Estónia, Ursula von der Leyen considerou que as incursões de drones no espaço aéreo dos países bálticos "expuseram vulnerabilidades" na segurança da UE.
"O que vocês estão a experienciar hoje pode atingir amanhã o resto da Europa. Por isso, precisamos de colmatar lacunas de uma forma sistemática, começando por sistemas de alerta mais unificados e por uma melhor coordenação transfronteiriça", considerou, pedindo que se analisem as vulnerabilidades da UE.
"Poderíamos começar, em clara coordenação com a NATO, uma avaliação abrangente dos sistemas existentes de combate a drones e de alerta precoce em toda a região, para que possamos identificar em conjunto as lacunas críticas e, depois, acelerar o apoio onde ele é mais necessário, colmatando essas falhas", sugeriu.
Von der Leyen defendeu ainda que é necessário garantir uma maior integração da Ucrânia na indústria de Defesa do bloco, frisando que a experiência de guerra de Kiev pode ajudar o bloco a adaptar-se melhor.
"O nosso objetivo é muito claro: juntos, a Europa e a Ucrânia devem desenvolver a capacidade industrial necessária para superar os nossos adversários em termos de inovação", frisou.
Perante os líderes dos países bálticos, Von der Leyen frisou que as incursões de drones no espaço aéreo da UE não são "incidentes isolados", mas uma "estratégia deliberada da Rússia para desestabilizar as sociedades democráticas".
"Quero elogiar a resiliência dos povos bálticos. Responderam com calma, responsabilidade e com uma mensagem clara para a Rússia: prevaleceremos", elogiou.
Na passada quinta-feira, as forças armadas da Letónia ativaram os alertas antiaéreos e pediram à população para se abrigar após a incursão de um drone numa região no sul do país.
O incidente sucedeu ao registado na Lituânia na quarta-feira, que fez disparar os alertas aéreos na capital, Vílnius, e noutras partes do país.
A situação obrigou a que dirigentes lituanos, incluindo o Presidente do país, Gitanas Nauseda, fossem levados para abrigos durante o alarme, que foi levantado algumas horas depois.
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