"Tendo também em conta o dia 15 [de Agosto, próximo sábado], estamos a reforçar a nossa cooperação. Mantemo-nos totalmente atentos e é uma cooperação que tem de se manter ao mais alto nível, visto que podem ocorrer eventos a qualquer momento", referiu a porta-voz da Comissão Europeia, Arianna Podestà, em conferência de imprensa em Bruxelas.
A porta-voz deixou este aviso depois de, na segunda-feira, ter sido noticiado que as empresas tecnológicas Meta e TikTok ativaram os seus protocolos de crise e concordaram em criar, através da União Europeia (UE), um "mecanismo 'ad hoc' de controlo com 'fact checkers' [projetos jornalísticos de verificação de factos]" para combater a desinformação relacionada com a crise migratória em Ceuta.
Perante os jornalistas, Arianna Podestà salientou que, até ao momento, a cooperação com a Meta e TikTok "está a dar frutos", tendo as empresas já adotado "medidas contra o tráfico de pessoas e a violência", após terem sido alertadas por 'fact checkers'.
"Esses 'fact checkers' estão a trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana. E acredito também que as plataformas estão a esforçar-se para informar corretamente os utilizadores sobre estes temas, promovendo informação correta e não disseminação de desinformação", referiu.
A porta-voz insistiu que está a haver uma "forte coordenação" entre a Comissão Europeia e as plataformas digitais, observando que já se reuniram duas vezes esta semana e está agendada outra reunião ainda hoje.
Outro porta-voz do executivo comunitário, Balazs Ujvari, referiu que, além destas reuniões com as plataformas digitais, também houve hoje um encontro sobre este tema de um grupo de trabalho do Comité Europeu dos Serviços Digitais, uma entidade composta por representantes da Comissão Europeia e dos Estados-membros.
Segundo indicou Balazs Ujvari, nessa reunião, o comité concordou que a Comissão Europeia não deve ativar o artigo 36.º da Lei de Serviços Digitais, que permite que o executivo comunitário exija às plataformas digitais, em casos de crise, que previna, elimine ou limite qualquer "ameaça grave identificada" contra a UE.
"Por enquanto, tendo em conta a cooperação reforçada que está em curso com as plataformas, o comité não considerou necessária a ativação do artigo 36.º", referiu o porta-voz.
No final de julho, cerca de 72 mil pessoas entraram em Ceuta em 24 horas, tendo a maior parte (70 mil) posteriormente voltado a Marrocos, segundo dados das autoridades de Espanha.
Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.
Após esta crise, foram reforçados os controlos policiais tanto em Marrocos como em Espanha, que, nos últimos dias, instalou barreiras flutuantes no mar em Ceuta e Melilla.
Apesar deste forte destacamento policial, os apelos para tentar uma nova entrada em massa em Ceuta e Melilla a 15 de Agosto continuam a multiplicar-se nas redes sociais marroquinas.
As cidades autónomas de Ceuta e Melilla são dois enclaves espanhóis localizados junto à costa de Marrocos e são as duas únicas fronteiras terrestres da UE com África.
Foto: depositphotos
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