Amílcar Cabral e o Olimpismo

PorLeonardo Cunha,20 set 2019 10:01

​Setembro é o mês em que se comemora o nascimento de Amílcar Cabral. Uma figura marcante na independência de Cabo Verde e da Guiné Bissau e que sempre foi visto pelos seus pares como um pensador que estava à frente do seu tempo. Esta característica é partilhada pelo fundador do movimento olímpico da era moderna - Pierre de Coubertin.

Em conversa virtual, no ano passado, com o meu amigo William Vieira, ele partilhou comigo alguns excertos de um livro publicado chamado Cartas de Amílcar Cabral a Maria Helena. A Outra Face do Homem, lançado em 2016. Esta publicação constitui, pelo menos, 53 cartas enviadas por Cabral à sua primeira mulher, Maria Helena de Ataíde Vilhena Rodrigues, entre 1946 a 1960.

Numa dessas cartas, pela ocasião dos Jogos Olímpicos de Londres 1948, Cabral escreve: “Vêem-se os negros triunfar […] conquistando os mais vibrantes aplausos, cobrindo-se de glórias.” (…) “Por isso mesmo se justifica a realização dos Jogos Olímpicos, onde atletas de todas as raças, provenientes de países os mais distantes e diferentes, vão competir em provas as mais variadas, nas quais as obtenções de vitória não implicam uma superioridade, mas unicamente uma melhor preparação atlética, sem desvirtuar as suas características fraternais. É necessário que, de uma vez para sempre, todos os homens se convençam, conscientemente, de que uma determinada posição alcançada por este ou aquele, é apenas o resultado dos esforços individuais ou coletivos, posto ao serviço de um dado fim, perante um campo de oportunidades abertos a todos”. 

Amílcar Cabral continua e escreve “Sim, Lena, é necessário que os homens não temam a competição. É necessário que todos os homens compreendam que todo o homem tem o direito de competir com plena oportunidade, seja em que campo for, no sentido de triunfar aquele que mais justamente merecer o triunfo. Quando todos os homens se aperceberem de que ninguém tem o direito de tirar aos outros a oportunidade de viver, então o mundo será feliz e a vida será um amplo estádio de Jogos Olímpicos, em que as vitórias serão a consecução, de maiores bens para a felicidade de todos, sem qualquer distinção, e eu Lena, creio que tudo isso será possível”.

Estes trechos de texto demonstram que Cabral tinha a mesma visão de Coubertin no papel do Desporto como ferramenta de desenvolvimento humano. Considera que os Jogos Olímpicos têm um papel fundamental na união dos povos. Igualmente, ele ensaia e introduz a noção que competir é um direito à condição humana e esta é uma noção que parte da filosofa helénica. O Agon (competição) é o caminho para a Aretê (excelência). Esta é uma visão ainda hoje partilhada pelo Movimento Olímpico e que promove os valores de Amizade, Respeito e Excelência.

Amilcar Cabral, nasceu em 1924 e se fosse vivo teria 95 anos de idade.

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Autoria:Leonardo Cunha,20 set 2019 10:01

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  20 set 2019 10:01

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