A missão da diplomacia da Rússia estava sempre ligada à história milenar da Rússia. A principal tarefa do nosso diplomata será sempre servir a Pátria, garantindo a sua segurança e estabilidade por meios pacíficos, desenvolvendo a cooperação com países estrangeiros e instituições internacionais.
Neste dia, parece-nos apropriado resumir os resultados da política externa do ano passado. O ano passado ficou marcado pelo 80.º aniversário da Grande Vitória. Juntamente com os países correligionários, a Rússia reafirmou o seu compromisso com a inviolabilidade da ordem mundial pós-guerra e com os seus fundamentos consagrados na totalidade, agregação e interligação dos objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas.
Em primeiro lugar, gostaria de abordar o que foi feito para ampliar a cooperação com os países do Continente Africano. Hoje os nossos países compartilhas os interesses comuns a aspiração para alargar os laços de parceria. A Rússia e África juntos defendem a crição de uma nova arquitectura estável e multipolar da ordem mundial.
O mais importante evento no desenvolvimento das relações russo-africanas em 2025 foi a Segunda Conferência Ministerial do Forum de Parceria Rússia-África, que tive lugar nos dias 19-20 de Dezembro em Cairo, Egipto. O evento contou com a presença de líderes e representantes dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros de 52 países africanos, incluindo Cabo Verde, bem como de representantes de oito associações regionais de integração.
Os participantes "acertaram agulhas" sobre as questões prementes da agenda internacional e russo-africana, com destaque para a aplicação integral do Plano de Ação do Fórum de Parceria Rússia-África para 2023-2026, aprovado na 2ª Cimeira Rússia-África, que decorreu em São Petersburgo em 2023. Foi dispensada especial atenção ao desenvolvimento das relações nas áreas comercial, económica e de investimento, bem como à discussão de áreas promissoras para o desenvolvimento da cooperação.
A conferência culminou com a aprovação de uma declaração conjunta que reflete posições comuns relativamente à resolução de problemas globais e a determinação mútua de fortalecer a cooperação multifacetada, com vista à preparação adequada da terceira Cimeira Rússia-África prevista para 2026.
Alarga-se a presença diplomática no Continente Africano. Em 2024 foram abertas as Missões dimplomáticas em Burkina-Faso e Guiné Equatorial, em 2025 – em Niger, Serra Leoa e Sudão do Sul. Logo se seguem Gâmbia, Togo, Ilhas Comores. Assim a quantidade total das Embaixadas antigirá 49. Foi criado um mecanismo de diálogo entre a Rússia e a Confederação dos Estados do Sahel, ao nível dos Ministros dos Negócios Estrangeiros.
A Federação da Rússia presta assistência em fortalecimento da segurança alimentar do Continente Africano, aumenta a interacção nos tais domínios importantes como saúde, epidemiologia, prevenção e controlo de situações de emergência, presta ajuda aos parceiros africanos na formação dos quadros profissionais.
Continuamos como parceiro estável e fiel para os países africanos nas questões anti-neocoloniais. A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou, por iniciativa da Rússia, o dia 14 de Dezembro como o Dia Internacional de Luta contra o Colonialismo, em todas as suas formas e manifestações, e o dia 4 de Dezembro como o Dia Internacional de Luta contra as Medidas Unilaterais Coercivas. Estas deliberações estabeleceram a base política e jurídica para a adopção de medidas práticas conjuntas com os países correligionários no combate ao neocolonialismo e às sanções.
Entre as outras áreas das actividades da diplomacia da Rússia é preciso destacar os seguintes.
As relações de parceria abrangente e de cooperação estratégica entre a Rússia e a China receberam um forte impulso graças também atravéz da troca das visitas dos lideres de ambos os países. No meio da pressão externa, a cooperação prática entre Moscovo e Pequim mostrou ser resiliente, tendo sido adoptada definitivamente a prática de pagamentos recíprocos em moeda nacional. A cooperação com China não tem precedentes em termos de nível, profundidade e coincidência de posições relativamente ao desenvolvimento da situação no cenário internacional.
É preciso destacar, em particular, a natureza estratégica e privilegiada da nossa parceria com a Índia, que foi visitada pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Dezembro de 2025.Os acordos assinados durante a visita do Presidente russo à Índia, em Dezembro, confirmaram a coincidência dos objetivos estratégicos e a solidez da confiança mútua entre os dois países, testada pelo tempo.
Após a tomada de posse da nova administração nos EUA em Janeiro, foi retomado o diálogo com Washington aos mais altos níveis. Durante a cimeira russo-americana em Anchorage, a 15 de Agosto, foram alcançados entendimentos que poderiam servir de base para a resolução do conflito em torno da Ucrânia, nomeadamente através da eliminação das suas causas primordiais, incluindo as ameaças militares à Rússia resultantes do alargamento da NATO, bem como da política de violação dos direitos da população de língua russa.
No que diz respeito à diplomacia multilateral, salientamos os êxitos na execução da tarefa de fortalecer os BRICS, tendo em conta o interesse crescente por esta associação, incluindo o dos países africanos. Contribuímos por todos os meios para a presidência brasileira dos BRICS em 2025. Os nossos amigos brasileiros continuaram a implementar muitos dos projetos lançados na Cimeira dos BRICS.
Como o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, salientou repetidamente, estamos empenhados em encontrar uma solução diplomática para esta crise. Se analisarmos o seu histórico desde 2014, e especialmente a partir de 2022, verificaremos que não faltou boa vontade por parte da Federação da Rússia no que diz respeito à celebração de acordos políticos. No entanto, os nossos vizinhos ocidentais, principalmente os europeus, fizeram de tudo para fazer com que estes acordos falhassem.A nossa posição em relação à Ucrânia consiste em eliminar as causas profundas desta crise, criada de forma deliberada pelo Ocidente ao longo de muitos anos, com o objetivo de transformar aquele país numa ameaça à segurança do nosso país e numa cabeça de ponte contra a Rússia nas nossas fronteiras.
Em conclusão, gostaria de salientar que a Rússiadefenderá os seus interesses de forma consistente, sem reivindicar os direitos legítimos de ninguém nem permitir que os nossos direitos sejam tratados de forma arbitrária. A nossa política externa, consagrada no "Conceito de Política Externa", aprovado pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Março de 2023, pressupõe a defesa resoluta dos interesses vitais do nosso país e do nosso povo, bem como a criação de condições externas favoráveis ao desenvolvimento interno sustentável da Federação da Rússia. Neste contexto, as acções fundamentais para o fortalecimento da soberania nacional são cruciais.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1263 de 11 de Fevereiro de 2026.
homepage








