A integração dos cabo-verdianos é cada vez mais plena na sociedade são-tomense

PorAntónio Monteiro,6 jun 2021 8:26

Quem o diz é o presidente do Governo da Região Autónoma do Príncipe, ele próprio filho de pais cabo-verdianos. Filipe Nascimento efectuou na passada semana uma visita de cinco dias a Cabo Verde (Santiago) com o objectivo de atrair investimento cabo-verdiano para a Ilha do Príncipe tendo para esse fim reunido com várias entidades do governo central, autárquico e do sector privado.

Que balanço faz da sua visita a Cabo Verde?

O balanço é extremamente positivo tendo em conta as excelentes perspectivas para doravante darmos seguimento a uma série de conversações já iniciadas, aos protocolos assinados quer ao nível autárquico, quer ao nível das academias e universidades, quer também junto da maior estação de rádio e televisão cabo-verdiana que é a RTC e também dos vários encontros com as autoridades sejam do Estado, sejam parceiros privados. Sentimos uma abertura e muita sensibilidade para no futuro virmos a estabelecer sinergias viradas para resultados e tudo faremos daqui para a frente dar seguimento às várias intenções já manifestadas e que estamos confiantes que serão levadas a bom porto para beneficiar sobretudo as pessoas dos dois países.

O objectivo da sua visita foi também atrair investimento cabo-verdiano para a Ilha do Príncipe. Que protocolos foram assinados neste sentido?

Com a Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde estamos a preparar um protocolo para ser assinado cá em Cabo Verde com o objectivo de trabalharmos nas diversas vertentes, sobretudo no fomento empresarial. De facto, além dos protocolos assinados com algumas instituições cabo-verdianas o nosso grande foco está na atracção de empresários, investidores e parceiros cabo-verdianos para virem operar no nosso país, São Tomé e Príncipe, particularmente na Região Autónoma de Príncipe. Há intenção, tanto de operadores privados como de entidades públicas que têm essa vocação de trabalhar para que haja uma maior proximidade entre os empresários dos dois países. Há uma pronta disponibilidade para dentro de semanas deslocar a Príncipe uma missão empresarial cabo-verdiana e nessa altura esperamos tudo fazer para que os vossos empresários encontrem oportunidade de negócios no Príncipe e desta forma conseguir identificar oportunidades de negócios que o Príncipe oferece, sobretudo nesta fase em que temos como grande desafio a retoma económica pós-pandemia que é o mesmo que dizer recuperação do emprego que para nós tem uma grande relevância em toda a nossa dinâmica de governação neste momento, sobretudo porque o turismo que era o principal sector económico do Príncipe passa por uma fase de muitas dificuldades devido às consequências da pandemia que se manifestou desde logo no fecho dos hotéis. Com a retoma económica queremos apostar em outras áreas para a diversificação da nossa economia. Por isso é que estamos a convidar os empresários cabo-verdianos para virem investir na Ilha do Príncipe, expandindo assim o seu negócio nesta parcela do Estado são-tomense. E tudo faremos para dar garantias e protecção necessárias para qualquer investidor estrangeiro.

Como está integrada a comunidade cabo-verdiana na Ilha do Príncipe?

A comunidade cabo-verdiana na Ilha do Príncipe e no país São Tomé e Príncipe já conheceu dias mais difíceis, mas é de se reconhecer que ao longo dos anos a integração tem sido mais efectiva e paulatinamente tem-se conseguido mitigar as dificuldades que marcaram os tempos mais difíceis. Devido a esta integração mais efectiva, a comunidade cabo-verdiana participa cada vez mais na vida social, económica e política do nosso país. Por outro lado, o próprio Estado de Cabo Verde cada vez mais vem dando uma particular atenção à comunidade cabo-verdiana através de vários programas, nomeadamente ‘Mata Sodadi’, ‘Cabo Verdi na Curason’ que vêm facilitando o intercambio entre os nossos dois povos. Em particular há uma pensão que o Estado cabo-verdiano atribui aos cabo-verdianos residentes em São Tomé e Príncipe, sobretudo os que estão em situação de maior vulnerabilidade e que tem sido decisivo para combater a exclusão social. Sentimos que da parte de Cabo Verde há a vontade de continuar a dar atenção à sua comunidade através do alargamento da pensão social a mais pessoas bem como através de programas como micro-finanças e economia social. Portanto, de um modo geral, os cabo-verdianos vêm ganhando maior autossuficiência e a sua integração vem sendo cada vez mais plena na sociedade são-tomense e em particular na Região Autónoma do Príncipe.

O que significa para a comunidade cabo-verdiana do Príncipe ter um presidente de governo que é filho de pais cabo-verdianos?

Os cabo-verdianos foram paulatinamente integrados na vida social de São Tomé e Príncipe e os seus filhos, sendo descendentes nascidos no território nacional, tiveram acesso ao ensino secundário e superior e sentiram-se no dever de dar o seu contributo para o desenvolvimento do país. O que aconteceu foi um processo natural desta integração e sentimo-nos também no dever de retribuir aquilo que o país nos deu. Os nossos pais sacrificaram-se muito para a nossa educação e nós sentimos que temos que fazer esta transição para que as futuras gerações sofram o menos possível. Como disse, esta integração plena dos cabo-verdianos é um processo natural que vem acontecendo há já várias décadas.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1018 de 2 de Junho de 2021. 

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Autoria:António Monteiro,6 jun 2021 8:26

Editado pormaria Fortes  em  7 jun 2021 11:03

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