Mudanças climáticas: "Não se pode negar, já estão aqui"– José Esquivel, biólogo

PorNuno Andrade Ferreira,18 nov 2021 12:19

José Esquivel
José Esquivel

O biólogo e director de conservação do Parque Nacional do Teide, em Tenerife, ilhas Canárias, considera que o diagnóstico está feito e que é altura de trabalhar para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Responsável por um projecto de medição de temperaturas na zona do vulcão do Teide, José Esquivel falou em mais uma conferência do Campus África, para defender que “estamos no momento de começar a actuar”, porque "o problema está aqui".

“Estamos num momento em que temos bastante informação sobre quais são os impactos das mudanças climáticas e, com a informação que existe, podemos adoptar medidas”, refere.

O biológo recorda que o aquecimento global não é algo que está para chegar, mas sim uma realidade que “já está aqui”.

"Não há como negar que o problema existe e que nos vai afectar a todos", alerta.

Apesar de reconhecer que há uma consciência cada vez maior, por parte da sociedade civil e actores políticos, para a necessidade de mudanças profundas nos estilos de vida e sistemas produtivos, vaticina que, ao ritmo actual, não só a meta de impedir um aquecimento do planeta superior a 1,5 graus está comprometida, como o incremento da temperatura média poderá mesmo ultrapassar a fasquia dos 2 graus Celsius. O último relatório do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) corrobora estas contas, ao admitir que o limite de 1,5 graus seja atingido já em 2030, dez anos antes do prazo inicialmente estimado, 2040.

Numa alusão directa à COP26, terminada domingo, na Escócia, José Esquivel estabelece que “há que ser muito mais ambicioso”.

O director de conservação do Parque do Teide, zona vulcânica da ilha de Tenerife, assinala a importância da cooperação entre arquipélagos da Macaronésia, para fazer face a um problema global, que exige acção local.

“Há que cooperar, é importante, porque muitas das coisas que estão a acontecer em Cabo Verde, podem ser uma experiência importante para as Canárias”, declara, exemplificando com os ventos que transportam poeiras do Saara que são uma novidade na região insular espanhola. 

Esquivel também destaca a importância económica do turismo e o impacto possível das alterações climáticas na actividade turística.

O Campus África 2021 decorre até 4 de Dezembro, em La Laguna, Tenerife, subordinado ao tema “desafios climáticos e pandémicos num contexto de crise global”. Ao longo das três semanas, 55 bolseiros, a maior parte dos quais cabo-verdianos, frequentarão conferências e terão a oportunidade de aprimorar conhecimentos nos laboratórios da ULL. A primeira edição do evento científico remonta a 2014. Seguiram-se as edições de 2016 e 2018.

O Expresso das Ilhas está em Tenerife a convite do Campus África.

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira,18 nov 2021 12:19

Editado porAndre Amaral  em  19 nov 2021 11:44

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