11 milhões de euros para acabar as obras

PorAndre Amaral,5 jun 2022 9:07

Pandemia e guerra na Ucrânia causaram atrasos na construção do Parque Tecnológico que está a ser construído na Praia e obrigaram a uma nova calendarização da entrega da obra. São precisos mais 11 milhões de euros para concluir as obras. Financiamento extra já foi conseguido junto do BAD.

O Parque Tecnológico da Praia, que está a ser construído na Achada Grande, “está na fase de acabamento” diz Carlos Monteiro, PCA do Parque Tecnológico, “mesmo apesar dos constrangimentos e atrasos e em Julho iremos fazer a recepção provisória das obras”, reforça Carlos Monteiro que aponta que já há “interesse manifestado” por empresas que se poderão vir a instalar na infraestrutura.

A pandemia, reconhece o gestor, teve um grande impacto no atraso das obras. “Estas obras não têm tido sorte. Em Cabo Verde os empreiteiros não fazem stock, importam consoante vão aplicando nas obras. Havia muitos materiais que tinham de ser importados em plena pandemia, como é o caso dos alumínios. Com a pandemia as fábricas pararam e as coisas arrastaram-se. A pandemia teve um impacto brutal”.

Com a primeira data prevista para “conclusão da construção do Parque prevista para Junho do ano passado” o calendário já se atrasou um ano.

“Agora arrancamos em força em Janeiro e íamos ter um grande forcing para conseguirmos terminar em Junho deste ano e surge a guerra na Ucrânia”. O impacto foi, novamente, sentido. “A guerra teve um grande impacto por causa dos combustíveis. As empresas trabalham com máquinas e tudo ficou mais caro».

Com os atrasos nas obras vieram, também, os aumentos nos custos e o valor previsto inicialmente para a construção do parque tecnológico, com todas estas condicionantes, já está bastante acima do planeado.

“Há um reforço com o Banco Africano para o Desenvolvimento, que é o financiador. Ninguém contava com a pandemia, nem com a guerra”, aponta Carlos Monteiro.

O Parque tinha um custo inicial previsto de “36 milhões de euros, em que o Estado entrava com cerca de 5 milhões, o resto era financiamento do BAD. Neste momento, para conclusão principalmente dos Data Center iremos ter mais um financiamento que ronda os 10 a 11 milhões de euros”.

Expectativas para o futuro

Para o futuro próximo, as expectativas “são enormes”, revela Carlos Monteiro.

“Em Cabo Verde vivemos sempre dependentes do turismo e vimos como passamos por causa da pandemia que veio reforçar que a diversificação da economia é uma necessidade”, aponta.

Com Cabo Verde bem posicionado nos rankings digitais (ver caixa) o PCA do Parque Tecnológico aponta para o histórico de Cabo Verde no que respeita à exportação de serviços e também quanto à governação electrónica.

“A ideia, com o Parque Tecnológico, é organizar melhor” o sector tecnológico nacional e “criar melhores condições para que esse sector da economia digital seja uma saída para os cabo-verdianos”, refere Carlos Monteiro que usa como exemplo o caso do NOSi “que já exporta serviços para cinco países”.

O número crescente de start-ups no sector tecnológico nacional criou a necessidade “de condições e de apoio do Estado e o nosso papel, aqui no Parque, é dar esse apoio. Nós não somos um concorrente, estamos aqui para apoiar o sector da economia digital com as valências do Parque com o reforço dos Data Center, porque é preciso infraestrutura, com o Centro de Treinamento e os espaços para empresas para que elas possam vir para cá com custos mais baixos”.

Por isso, reconhece Carlos Monteiro, “a expectativa é grande. Todos estão à espera do arranque” do Parque Tecnológico.

Importância da ZEET

A criação da Zona Económica Especial para as Tecnologias (ZEET) tem um papel fundamental para o sucesso do Parque Tecnológico.

A criação da ZEET vai servir para atrair investimentos, “o que é um aspecto muito importante” porque permite atrair “empresas fortes ligadas ao sector”. “Uma empresa forte, que seja uma empresa âncora, que se instale aqui devido aos atractivos da ZEET poderá suscitar muito desenvolvimento ao seu redor”.

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Por isso, o arranque do Parque Tecnológico traz consigo a expectativa de “começar a gerar um ambiente de negócios mais forte. Nós não contamos só com o mercado cabo-verdiano, que sabemos que é exíguo, mas estamos aqui para criar soluções para exportar tendo os olhos postos na região da CEDEAO e também na nossa diáspora”.

Competitividade

A competitividade no sector tecnológico obriga a uma oferta diferenciada para que uma infraestrutura como o Parque Tecnológico se torne atractiva.

Carlos Monteiro reconhece que Cabo Verde não está sozinho na procura de clientes. “A nossa ZEET é ousada, com incentivos fortes onde a taxa vai ser quase zero. Vai ter isenção de impostos para pessoas singulares até 2030 que pode ser alargado, para além da isenção de imposto sobre pessoas colectivas. Isto faz com que a ZEET seja agressiva”.

Além desses factores, Carlos Monteiro aponta que “o país está a ser bem infraestruturado. Somos dos poucos países em África com essas boas infraestruturas e as pessoas vão para onde há confiança”. Outro aspecto prende-se com a estabilidade política do país. “Têm sido feitos investimentos nos nossos vizinhos aqui em África e que depois não funcionam, porque há instabilidade política, terrorismo. Cabo Verde tem uma boa imagem para os investidores virem para cá”.

“Cabo Verde tem muitos activos que o tonam atraente para as pessoas virem para cá. Isto para além da vontade política que existe, neste momento, de apostar nesse sector” reforça Carlos Monteiro.

Outro aspecto importante é o cabo Ella Link “que já está a funcionar e que é muito moderno. Poucos países em África têm um cabo com este nível de modernidade e já vários países procuraram ligações aqui, exactamente por ser moderno e com baixa latência que permite o desenvolvimento de diversas tecnologias como o 5G. Muita gente pensa que é um luxo, mas não é. Cabo Verde já devia estar a dar os primeiros passos para ter os primeiros projectos piloto em 5G, porque esta tecnologia permite a investigação e o desenvolvimento das novas tecnologias emergentes. Tendo 5G no parque isso permite que as empresas venham aqui fixar para fazer esse desenvolvimento”, reforça Carlos Monteiro.

Os elementos do Parque Tecnológico

“O Parque é constituído por cinco elementos chave e cada um deles tem uma abordagem. Um são os Data Center, depois temos o Centro de Conferências, o Centro de Empresas, o Centro de Incubação para as start-up e temos o Centro de Treinamento”, aponta Carlos Monteiro que assegura que há contactos e parcerias que já estão em andamento.

No Centro de Incubação “iremos estar com empresas privadas do sector [tecnológico] que já estão no mercado. Temos negociações com a Business Incubation Center (BIC), com a Unitec”.

No que respeita aos Data Center “já temos o NOSi” que gere o mais antigo e o Data Center que está a ser construído em São Vicente vai ser parte integrante deste Parque Tecnológico, explica Carlos Monteiro. O projecto prevê ainda a construção de um terceiro Data Center “destinado às fintech e que será gerido por uma entidade a ser escolhida. Pode ser o NOSi ou não. Adjudicar um Data Center não é fácil, tem de ser muito bem feito. Já estamos a trabalhar nos cadernos de encargos, mas ainda é cedo para nos pronunciarmos sobre isso».

Com o Centro de Conferências quer-se “uma nova centralidade na cidade da Praia. É um espaço que está pensado para termos eventos digitais, mas não só. Também culturais, porque o Centro terá de ser optimizado”, aponta o gestor que diz que já foram feitos encontros com empresas do sector “que já estiveram cá e provavelmente serão nossos parceiros na gestão desse centro de eventos”.

No Centro de Treinamento “já temos manifestações de interesse de empresas internacionais como já foi anunciado pelo governo. Há um protocolo assinado para se montar um modelo de treinamento disruptivo. Mas também há outras empresas interessadas e, depois, temos também de ter as universidades”.

Quanto ao espaço destinado às empresas, Carlos Monteiro explica que “todas as empresas nacionais do sector digital estão com interesse em vir para cá porque é um espaço que vai ter melhores condições tanto a nível energético como de conectividade”.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1070 de 1 de Junho de 2022. 

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Autoria:Andre Amaral,5 jun 2022 9:07

Editado porAntónio Monteiro  em  27 jun 2022 7:20

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