Abertura do ICTA: Satisfação e apelos por políticas que ajudem a fixar quadros

Quarenta bolsas de estudo disponíveis para estudantes da unidade orgânica da UTA em Santo Antão. Expectativas positivas, com apelos a medidas que permitam criar emprego. Aulas começam a 17 de Outubro.

Há muito prometido, o ensino superior chega este ano lectivo a Santo Antão. Depois de formalmente criado, o Instituto de Ciências e Tecnologias Agrárias (ICTA) já tem duas licenciaturas acreditadas pela Agência Reguladora do Ensino Superior. Engenharia Zootécnica e Engenharia Agronómica serão as primeiras ofertas formativas do polo da Universidade Técnica do Atlântico (UTA) na ilha das montanhas.

As candidaturas decorrem até 7 de Outubro, com a atribuição de 40 bolsas de estudo, 20 para cada um dos cursos. Uma forma de atrair estudantes para o arranque das aulas, previsto para 17 de Outubro.

As bolsas incluem a isenção de pagamento de propina, transporte gratuito entre o município de residência e os diferentes campus e o alojamento numa das residências estudantis de Santo Antão, se necessário.

O reitor da Universidade Técnica do Atlântico, João do Monte Duarte, acredita no impacto “muito positivo” do ICTA.

“Pensamos que o ICTA tem potencial para ter um impacto muito positivo a nível local e nacional permitindo servir Cabo Verde e não só, a partir de Santo Antão, aproveitando as grandes valências dessa ilha. Permitirá ainda fixar jovens em Santo Antão, ampliar a oferta formativa do país, criar novas opções de acesso ao Ensino Superior, principalmente para os residentes em Santo Antão, atrair jovens estudantes e técnicos altamente qualificados de outras partes para a ilha e implementar programas específicos de investigação com foco nos desafios locais”, antecipa.

O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santo Antão, Orlando Delgado, não esconde a “satisfação” pela concretização de uma aspiração antiga e estima que, no futuro, a oferta formativa não se restrinja ao sector agrícola.

“Hoje é importante a questão da agricultura, mas Santo Antão tem potencial nos serviços, ambiente, energias renováveis”, defende.

A par do ensino superior, é importante pôr a economia a funcionar, complementa o autarca.

“Mesmo que tenhamos todos os cursos aqui, se a economia não funciona, se não há emprego, actividade económica, quem se formou terá que sair. Só haverá desenvolvimento se existirem, de facto, actividades que permitam aos privados acreditar, fazer os seus investimentos, gerar empregos, ter um mercado onde colocar os produtos. Tudo isso está interligado. Não basta dizer que temos uma universidade”, alerta.

Na mesma linha, o presidente da Associação Agroindustrial de Santo Antão, António Carente corrobora que a abertura do ICTA é uma notícia há muito esperada, que poderá ajudar a combater as pragas que afectam a agricultura local.

“Vivemos numa ilha com muitas pragas e com a instalação dessa universidade de certeza que vai haver investigação nesse sentido. Estamos de braços abertos, à espera da sua implementação e disponíveis para colaborar”, comenta.

O líder associativo espera que o ensino superior na ilha seja um passo no desenvolvimento do sector primário, criando oportunidades de negócio e emprego.

“É preciso fazer muito mais. É preciso dotarmos a ilha de um sector industrial, porque se não enveredarmos para um sector industrial, vamos continuar a ter perdas, principalmente da mão-de-obra qualificada. Ninguém se vai qualificar para ficar numa ilha sem perspectivas, onde não há condições para uma sobrevivência digna”, lembra.

Conhecedor da situação laboral santantonense, o secretário-permanente do Sindicato Livre de Trabalhadores de Santo Antão, Carlos Bartolomeu, olha para o contexto internacional e a perspectiva de uma recessão económica global, para reforçar que, ao mesmo tempo que se investe na qualificação das pessoas, tem que se trabalhar para evitar que, depois de formadas, estes sejam ‘empurradas’ para fora da sua terra natal.

“Não tendo oportunidades aqui, as pessoas vão desembocar na vizinha ilha de São Vicente. Muitos jovens da nossa ilha estão nas ilhas turísticas do Sal e da Boa Vista, com dificuldades para regressar. Também há uma grande diferença salarial entre Santo Antão e as outras ilhas e mesmo quando as pessoas regressam não se fixam, porque a situação fica difícil para eles”, enumera.

O ICTA ficará disperso pelo território. A sede administrativa, nos antigos Paços do Concelho, em Porto Novo. A sede lectiva, onde decorrerão as aulas teóricas e laboratoriais, no segundo piso do Liceu Januário Leite, no Paúl. No Centro de Afonso Martinho, em Ribeira Grande, e na Quinta São João Baptista, em Lajedos, Porto Novo, funcionarão os centros experimentais e de investigação científica.

De acordo com informações da reitoria da UTA, o corpo docente do novo instituto será formado por doutorados nacionais e estrangeiros, que assumirão funções a tempo integral, e mestres, que colaborarão em regime de part-time. Um protocolo com o Instituto Superior de Agronomia, da Universidade de Lisboa, permitirá a deslocação a Cabo Verde de professores e investigadores desta centenária instituição portuguesa. 

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira, Lourdes Fortes,2 out 2022 7:59

Editado porSara Almeida  em  3 out 2022 14:20

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