“Reunimos para celebrar o mar, mas pretendemos que o ano todo seja de preocupação, preservação, conservação e exploração sustentável”

Giliardo Nascimento, Director Nacional de Política do Mar
Giliardo Nascimento, Director Nacional de Política do Mar

Director Nacional de Política do Mar, Giliardo Nascimento coordena a Cabo Verde Ocean Week. Na quinta edição, o evento procura reinventar-se.

A edição deste ano tem como foco a consolidação e implementação das políticas de sustentabilidade oceânica. O que se pretende, exactamente? 

O objectivo principal é elevar a consciencialização e fomentar o diálogo sobre a essência, a importância e a sustentabilidade dos oceanos, visando a criação de uma cultura voltada para a preservação e conservação da saúde do mar, mas também aproveitar todas as potencialidades sustentáveis da sua exploração económica. O evento vai servir de palco para a partilha de boas práticas e a identificação de medidas e recursos que garantam a elevação da performance para a sua gestão sustentável e para o seu maior aproveitamento. 

E quanto às novidades da programação? 

O evento terá uma programação mista, com actores internacionais que se estão a disponibilizar para participar. Na primeira edição, convidávamos os stakeholders para participarem e na quinta edição já não convidamos praticamente ninguém, porque o que aconteceu foi uma adesão massiva. As novidades, para além dos workshops e desportos náuticos, vamos ter uma feira azul, de todas as profissões ligadas ao mar, liderada pela EMAR, na praça D. Luís, onde vão estar expostas todas as possibilidades e oportunidades ligadas às profissões do mar. Uma segunda novidade é o Blue Food Festival, ou seja, inaugura-se a ideia de um festival gastronómico onde se vai expor tudo aquilo que é a gastronomia que vem do mar. Este ano vai ser feito na comunidade de Salamansa, para o ano será em São Pedro ou Calhau. Em cada ano será acolhido por uma comunidade pesqueira no país. Outra novidade é o Ocean Open Day, em que todas as instituições tuteladas e empresas do Ministério do Mar vão estar de portas abertas aos estudantes, para mostrar o que fazemos, como funciona todo o ecossistema do mar e porque é que são importantes. 

Há um esforço de dar a conhecer um sector nem sempre reconhecido pela população…

Exactamente. Precisamos aprofundar o nosso conhecimento sobre o mar, não só sobre o mar em si, mas sobre o ecossistema governativo e da sociedade civil que orbita em torno do mar. Precisamos de reaproximar a sociedade cabo- verdiana ao mar, mas também do sistema governativo que gira em torno do mar. Isto é uma forma de trazer a sociedade civil, de trazer os alunos, para verem a importância do mar, de termos um Ministério do Mar e de todas as políticas marítimas que estão a ser executadas para o desenvolvimento sustentável do nosso país. Pretendemos que fique como uma marca da CVOW para os próximos anos. 

Durante a apresentação da CVOW 2022, o governo destacou que a edição vai incorporar as recomendações da Cimeira dos Oceanos, realizada recentemente em Lisboa, nomeadamente no que tem a ver com a mudança da forma como olhamos para os oceanos... 

Reafirmamos todos os nossos compromissos no âmbito desta Ocean Week, os compromissos de preservação, conservação, da preocupação que devemos ter com o nosso mar. Ao reafirmar esse compromisso de Lisboa, definimos o lema deste ano, “Amar o Mar”. Como é que podemos amar o mar? Será que as minhas acções são reflexo deste amor que devemos ter pelo mar e que é tão importante para o equilíbrio, como elemento regulador do planeta e da própria existência da humanidade? Cabo Verde, sendo um pequeno estado insular, está no grupo daqueles que menos poluem, mas está ao mesmo tempo no grupo dos que mais sofrem com a poluição alheia. Portanto, temos que estar cientes desses compromissos e também temos que mandar recados a nível internacional, de que poluímos menos, mas estamos a sofrer com a poluição que se faz um pouco por todo o mundo.

Esta é a quinta CVOW, mas a percepção que fica é que esta reflexão se esgota no final de cada edição, não havendo uma continuidade das acções... 

É uma percepção, mas se calhar o problema será a visibilidade das acções posteriores ao evento. Existem actividades feitas, por exemplo, junto das associações de pescadores, nas comunidades, que representam aquilo que é a continuidade do evento. Vamos criar uma equipa de seguimento, não apenas das actividades que vão acontecer subsequentemente, mas também de assunção e efectivação daquilo que forem os compromissos saídos da CVOW. Nesta semana, reunimos para celebrar o mar, mas pretendemos que o ano todo seja de preocupação, preservação, conservação e exploração sustentável dos recursos marinhos.

Texto publicado originalmente na edição nº1094 do Expresso das Ilhas de 16 de Novembro

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira, Lourdes Fortes,20 nov 2022 7:48

Editado porAndre Amaral  em  4 dez 2022 20:20

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