Fundo climático aumenta de 12,5 para 42,5 milhões de euros

PorAndré Amaral*,2 fev 2025 8:58

O anúncio foi feito, na segunda-feira, pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que está em Portugal a participar na Cimeira Portugal-Cabo Verde. A ministra da Energia e Ambiente de Portugal explicou que o alargamento do programa de troca de dívida de Cabo Verde para Portugal por investimento climático vai incidir em projectos de energia renovável relacionados com a água.

“O aumento da contribuição para o Fundo Climático e Ambiental, que passa de 12,5 milhões de euros para 42,5 milhões de euros, é um aumento significativo e significa recursos para aplicarmos em investimentos em energias renováveis, na mobilização de água associada à energia renovável e na criação de oportunidades de investimentos para o sector privado português e cabo-verdiano”, apontou o primeiro-ministro em declarações à imprensa na tarde de segunda-feira.

Já na segunda-feira, à margem do Fórum Económico Portugal-Cabo Verde, a ministra da Energia e Ambiente de Portugal, Maria da Graça Carvalho, explicava, citada pela Lusa, que este aumento de 30 milhões de euros será canalizado para “projectos de energias renováveis relacionadas com a água”.

Linha de crédito

Além do alargamento do Fundo Climático, Ulisses Correia e Silva sublinhou ainda a criação de uma linha de crédito de 100 milhões de euros, destinada a impulsionar investimentos em áreas estratégicas como energia renovável, economia digital, economia azul e turismo, sendo que esta linha poderá estar associada a garantias soberanas, facilitando o acesso a financiamentos para empresários portugueses e cabo-verdianos.
“Assistimos hoje a uma cimeira histórica, pela linha de crédito de 100 milhões, pelo mecanismo de conversão de dívida em projectos de acção climática”, salientou, por sua vez, a governante portuguesa, vincando que o alargamento no tempo e no montante não esgota a cooperação entre os dois países.

O sucesso dos cerca de 30 projectos de cooperação entre 2017 e 2023 nas áreas da acção climática, gestão de resíduos, biodiversidade, ordenamento do território e energia “têm uma taxa de execução acima de 90%”, disse a governante portuguesa, argumentando que esta cooperação permite alargar os programas nos próximos anos.

“O sucesso desta relação deu-nos confiança para assumir novos desafios ainda mais ambiciosos e, neste novo programa de cooperação, decidimos apostar num projecto de grande dimensão, que é o apoio à resiliência e sustentabilidade do sistema de distribuição de água potável em Santiago”, acrescentou Maria da Graça Carvalho.

Dessalinização de água

Maria da Graça Carvalho destacou igualmente a experiência de Cabo Verde no que respeita à dessalinização de água e garantiu que Portugal pode aprender muito neste campo.

Cabo Verde, destacou a governante portuguesa, “tem larga experiência no processo de dessalinização, e Portugal está a iniciar a primeira experiência em Porto Santo, um processo com bastantes barreiras a ultrapassar, mas há muito a aprender com a velocidade com que Cabo Verde executou estes projectos nas diferentes ilhas”.

Formação profissional

Um dos destaques desta 8ª Cimeira entre Portugal e Cabo Verde foi, conforme destacou o primeiro-ministro em declarações à Inforpress, o financiamento de centros de excelência em formação profissional em Cabo Verde, com uma contribuição de 4 milhões de euros por parte do Governo português.

Sobre a comunidade cabo-verdiana em Portugal, o primeiro-ministro destacou a sua boa integração e inclusão na sociedade portuguesa, elogiando a diversidade do perfil migratório.

“Nós temos desde operários, trabalhadores indiferenciados até homens de negócios, pessoas que trabalham na academia, professores universitários, técnicos altamente qualificados e quadros profissionais no scetor da saúde. Temos pessoas ligadas à cultura, artistas e desportistas de referência. Portanto, é uma migração muito diversificada”, indicou.

A VII Cimeira entre os dois países permitiu que fossem acordados 30 instrumentos bilaterais, como referiu hoje o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, numa conferência de imprensa ao lado do seu homólogo, Ulisses Correia e Silva, 20 dos quais já foram assinados entre segunda e terça-feira, restando 10 para serem firmados por várias entidades.

*com agências

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1209 de 29 de Janeiro de 2025.

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Autoria:André Amaral*,2 fev 2025 8:58

Editado porDulcina Mendes  em  25 out 2025 23:22

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