Monumento à Liberdade e Democracia simboliza conquistas democráticas do povo - Primeiro-Ministro

PorAnilza Rocha, André Amaral,17 jan 2026 9:20

Foi inaugurado, neste 13 de janeiro, o Monumento à Democracia e Liberdade, no dia em que se celebra os 35 anos da Liberdade e Democracia. Um monumento que, para o Primeiro-Ministro, no seu discurso, perenizando conquistas democráticas do povo cabo-verdiano.

A cerimónia inaugural começou às 16 horas, no largo da Rotunda de Achada Grande Frente, cidade da Praia, com atuações de grupos de tabanka e entoação do Hino Nacional, na presença de autoridades, figuras nacionais e a população que se fazia presente.

Chegada a vez de discursar, o Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, fez menção ao significado do monumento e do dia da democracia e liberdade cabo-verdiana.

“Os países que se empenham em valorizar a sua história fazem com que essas memórias permaneçam. Este monumento aqui veio hoje para ficar para mais de 500 anos”, assegurou.

Ulisses Correia e Silva explicou que o monumento se ergue na confluência da Avenida Aristides Pereira, o primeiro Presidente da República do Regime de Partido Único, e da Avenida António Mascarenhas Monteiro, o primeiro Presidente da República do País Democrático.

“Tem o simbolismo muito forte da transição pacífica, mas com convicção, que fizemos do Partido Único para o Regime da Democracia”, enalteceu.

35 anos da Democracia

Para Ulisses Correia e Silva, o 13 de Janeiro representa a instauração do regime democrático, com a colocação da dignidade da pessoa humana no centro, a liberdade política, a liberdade de expressão, como as bases do sistema democrático.

“Foi o regime democrático instaurado que permitiu este país passar a reger-se pelo primado da lei e pela justiça independente. E cujo princípio sagrado é, para ontem, para hoje e para amanhã, ninguém está acima da lei, ninguém está fora da alçada da lei”, complementou.

No seu entender, é motivo de orgulho viver em democracia num mundo conturbado, em que se regista a expansão do populismo, do extremismo e com investidas para impor uma nova ordem mundial baseada no unilateralismo.

O chefe do Governo elogiou o facto de Cabo Verde ser “um país bem posicionado” nos rankings internacionais da democracia, das liberdades, da boa governança, da estabilidade, de baixos riscos relacionados com a corrupção.

“É uma bênção que ninguém tem direito de fragilizar, de atacar ou de apoucar. É pela qualidade do nosso direito democrático, pela nossa estabilidade política e social e pela abertura ao mundo que nos distinguimos no conceito das nações”, frisou acrescentando que essa distinção é fundamental para a reputação do país e sua relação com os parceiros de desenvolvimento.

“Termino prestando uma sincera homenagem, frente a este monumento, ao Dr. Carlos Veiga e a todos os que, no MpD, no PAICV e na UCID, negociaram, fizeram pressão, trabalharam para que pudéssemos ter a mudança de regime. Este não é um património de um partido político, é um património do sistema político cabo-verdiano e dos cabo-verdianos, e todos tiveram participação e contribuição”, concluiu.

“Liberdade é um valor inestimável”

Victor Coutinho, ministro das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação, em declarações ao Expresso das Ilhas à margem da Sessão Solene do 13 de Janeiro, na Assembleia Nacional, começou por abordar a polémica em torno dos 150 mil contos gastos na construção do novo monumento em Cabo Verde. Para o governante, o valor de um monumento não se mede pela quantidade de materiais utilizados, mas pelo seu significado intrínseco e simbólico. "Liberdade é um valor inestimável, é o maior valor que nós temos enquanto sociedade", sublinhou, lembrando que o projecto representa um ganho para a sociedade cabo-verdiana desde os primeiros desafios de 1990 e 1991, quando se decidiu abraçar a democracia.

O ministro destacou que o monumento foi concebido pelo arquitecto português Rui Carvalho, com uma equipa técnica que desenvolveu não apenas a arquitectura, mas também o paisagismo, a estrutura, a parte eléctrica e outras especialidades. Para Victor Coutinho, a inauguração do monumento ocorre num momento em que se fala muito da crise da democracia, sendo uma mensagem de reafirmação dos valores de liberdade e democracia que o país escolheu em 1991.

O ministro reforçou que a democracia é um regime de construção diária, que exige aperfeiçoamento contínuo, mas é infinitamente superior a qualquer outro modelo de governo. Recordou o esforço de pessoas que dedicaram a sua juventude à luta pela liberdade, e sublinhou a importância de honrar essas gerações passadas e proteger o projecto democrático para o futuro.

Quanto à simbologia do monumento, explicou que ele integra elementos que representam a fusão de épocas e valores. As pétalas metálicas remetem ao milho, simbolizando a evolução do antigo milho cabo-verdiano para o novo país contemporâneo. A cor azul das pétalas remete à bandeira de Cabo Verde, considerada por Coutinho um dos pilares da democracia, juntamente com o hino nacional e a Constituição de 1992. O monumento representa assim a identidade do país, a liberdade conquistada e a evolução histórica da nação.

O ministro concluiu que este marco não é apenas uma homenagem ao passado, mas também um símbolo para as gerações futuras, reforçando a importância de proteger e valorizar a democracia cabo-verdiana.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1259 de 14 de Janeiro de 2026.

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Autoria:Anilza Rocha, André Amaral,17 jan 2026 9:20

Editado porJorge Montezinho  em  18 jan 2026 9:29

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