Produção de milho ficou quase 40% abaixo da média em Cabo Verde - FAO

PorExpresso das Ilhas, Lusa,23 jan 2026 11:31

A produção de milho, em 2025, ficou quase 40% abaixo da média dos últimos cinco anos, a nível nacional, segundo estimativas preliminares divulgadas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.

“A produção de milho em 2025 [em Cabo Verde] está estimada em cerca de 1.100 toneladas, quase 40% abaixo da (já baixa) média dos cinco anos anteriores, reflectindo o impacto negativo” das condições atmosféricas, bem como “a redução da área plantada”, indicou a FAO, no mais recente sumário do Sistema Global de Informação e Alerta Agrícola e Alimentar.

A redução das áreas plantadas insere-se numa tendência mais vasta “de abandono das actividades agrícolas em algumas regiões do país, impulsionada pelos padrões de pluviosidade irregulares, pelo elevado custo da mão-de-obra agrícola nos últimos anos e pela emigração dos jovens”, detalha a organização.

O milho é praticamente o único cereal cultivado no arquipélago, faz parte da base alimentar diária de parte da população e a colheita foi concluída em Dezembro.

A estação das chuvas, que normalmente se estende de Agosto a Outubro, teve uma distribuição “errática” e os totais acumulados “ficaram abaixo da média”.

Segundo o mesmo boletim, consultado hoje pela Lusa, os preços do milho produzido localmente registaram ligeiros aumentos (até 5%) entre Outubro e Dezembro.

Quanto a outros cereais básicos importantes, incluindo a farinha de trigo e o arroz importados, permaneceram praticamente estáveis durante o mesmo período.

As estimativas da FAO apontam para cerca de 37.800 pessoas em situação de insegurança alimentar aguda entre Outubro e Dezembro de 2025, em Cabo Verde, “número ligeiramente inferior às 41.300 pessoas (8% da população analisada) que, segundo as estimativas, necessitariam de assistência humanitária no mesmo período de 2024”, acrescentou.

A organização aponta para “preocupações” quanto à situação de segurança alimentar das famílias afectadas pelas cheias de 2025, que perturbaram os meios de subsistência e danificaram infraestruturas críticas nas ilhas de São Vicente, Santo Antão (no concelho do Porto Novo), São Nicolau e Santiago (nos concelhos do Tarrafal, São Miguel, Santa Cruz e Santa Catarina), levando o Governo a declarar o estado de emergência.

As primeiras projecções indicam que “cerca de 33.500 pessoas (7% da população analisada) deverão enfrentar insegurança alimentar aguda" no período entre colheitas, de Junho a Agosto de 2026.

Foto: Depositphotos.com

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,23 jan 2026 11:31

Editado porAndre Amaral  em  23 jan 2026 22:19

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