Morreu Amélia Araújo, a “Voz da Luta” da Libertação Nacional

PorExpresso das Ilhas,19 fev 2026 11:57

Faleceu, aos 92 anos, Amélia Rodrigues de Sá e Sanches de Figueiredo Araújo, combatente da Liberdade da Pátria e uma das figuras marcantes da luta pela independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau.

Conhecida como a “Voz da Luta”, destacou-se como produtora, animadora e locutora principal da Rádio Libertação, desempenhando um papel central na mobilização e na chamada “guerra psicológica” contra o regime colonial.

Filha de mãe angolana e pai cabo-verdiano, Amélia Araújo nasceu em Angola, a 11 de Agosto de 1933. Estudou em Portugal, onde se casou com o cabo-verdiano José Eduardo de Figueiredo Araújo.

Durante a luta armada conduzida pelo PAIGC com vista à independência, afirmou-se pela voz que ecoava nas emissões da Rádio Libertação.

As suas primeiras experiências radiofónicas remontam a 1964, com o apoio do marido, dirigente do PAIGC e responsável pela área de informação. Em 1966, Amélia Araújo e quatro companheiros guineenses foram enviados por Amílcar Cabral para uma formação de nove meses na União Soviética.

Um ano depois, com o apoio da Suécia, que ofereceu um emissor e um estúdio, foi criada a Rádio Libertação. As emissões começaram oficialmente a 16 de Julho de 1967, inicialmente com 45 minutos diários, divididos em três blocos de 15 minutos.

Após a Independência Nacional, Amélia Araújo assumiu funções públicas em Cabo Verde.

Em 2015, o Governo galardoou-a com o Primeiro Grau da Medalha de Serviços Distintos, reconhecendo a sua abnegação, bravura e dedicação à causa nacional.

“Faleceu Amélia Araújo, a ‘Voz da Luta’, aquela que, nos quadros do PAIGC deu vida à Rádio Libertação e, pela palavra, indelevelmente, contribuiu para a libertação dos povos da Guiné e de Cabo Verde”, reagiu o Presedente da República, José Maria Neves, no Facebook.

O Chefe de Estado prestou homenagem à combatente que, conforme referiu, se armou até os dentes, literalmente, para, por palavras, lutar contra a subjugação e deu tudo de si para a reconstrução de Cabo Verde, no pós-independência.

“Os alicerces do desenvolvimento durável só seriam construíveis graças ao empenhamento e à generosidade desses briosos jovens das décadas de 60 e 70 e cabouqueiros da República”, acrescentou.

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Autoria:Expresso das Ilhas,19 fev 2026 11:57

Editado porAndre Amaral  em  19 fev 2026 14:14

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