Ao Expresso das Ilhas, o médico dentista Élder Paiva considera que, nos últimos anos, se tem observado uma mudança no comportamento dos pacientes, sobretudo na ilha de Santiago.
“Já tenho mais de dez anos de mercado e o que vim a notar neste último tempo é que a consciência sobre saúde oral vem a melhorar de forma exponencial. Os pacientes procuram cada vez mais a clínica para tratamento e cuidados orais e já não chegam apenas para extrair dentes”, relata.
Segundo o especialista, no passado muitos pacientes recorriam ao dentista apenas em situações de dor ou quando a única solução parecia ser a extracção. Actualmente, há uma procura crescente por tratamentos de conservação e também por procedimentos ligados à estética dentária.
Entre os problemas mais frequentes observados nas consultas está a cárie dentária, responsável por grande parte das perdas dentárias.
“Na maioria dos pacientes que atendo, cerca de 90% dos motivos de extracção dentária estão ligados à cárie”, explica.
A doença não afecta apenas um grupo etário específico. De acordo com o dentista, trata-se de uma condição de elevada prevalência em diferentes idades.
“Já encontramos crianças de cinco anos acometidas pela doença cárie. Também há adolescentes e adultos com o mesmo problema”, afirma.
Nesse sentido, considera que as mudanças nos hábitos alimentares poderão estar associadas ao aumento de casos.
Outro aspecto que surge frequentemente nas consultas é a forma incorrecta como muitas pessoas realizam a higiene oral diária.
“Os pacientes, na maioria, não respeitam o tempo de escovagem nem a técnica correcta. Além disso, noto que muitos não fazem uso do fio dentário”, refere.
Para uma higienização eficaz, o médico recomenda uma escovagem que varia entre cinco a dez minutos para fazer uma boa higienização.
O profissional aconselha ainda que o acompanhamento dentário comece cedo, idealmente quando a criança já tem alguma consciência sobre a higiene oral.
“Quanto mais cedo a criança vai ao dentista, menor será a probabilidade de desenvolver problemas de saúde oral. E, se a primeira consulta não for numa situação de dor, diminui também o medo do dentista”, explica.
Apesar dos progressos, o custo dos tratamentos continua a representar um obstáculo para parte da população. Ainda assim, Élder Paiva observa uma mudança de mentalidade.
“Muitas pessoas já percebem que saúde oral não é uma opção. Qualquer dente faz falta, porque cada um desempenha uma função”, sustenta.
O especialista alerta também para as consequências de negligenciar os cuidados com a boca, lembrando que problemas dentários podem afectar o organismo de forma mais ampla.
“A boca é a porta de entrada da nossa saúde. Se existir uma infecção dentária e ela evoluir, pode provocar complicações graves noutras partes do corpo”, adverte.
Para o dentista, é fundamental reforçar as acções de sensibilização e melhorar o acesso aos cuidados de saúde oral no sistema público.
“Espero que, a longo prazo, a saúde oral esteja mais integrada na saúde pública, com mais hospitais e delegacias a oferecerem tratamentos odontológicos mais completos, para que qualquer pessoa possa ter acesso a cuidados orais”, conclui.
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