“Tentar caracterizar as características da doença na população de Cabo Verde e fazer também um estudo genético, ou seja, fazer uma pequena colheita de sangue, para ver se há alterações genéticas específicas da população de Cabo Verde. Do ponto de vista clínico, é importante porque, em última instância, gostaríamos de poder ajudar a melhorar os cuidados de saúde prestados a estes doentes”, aponta.
A doença de Parkinson é uma doença cerebral que se caracteriza pela lentidão dos movimentos, pelo tremor e pela alteração do andar.
Para o investigador, estudar as alterações genéticas associadas à doença de Parkinson permite compreender melhor os mecanismos que causam a doença, para desenvolver medicamentos direcionados a tratar essas alterações.
“O conhecimento genético é uma forma de aprendermos mais sobre por que é que esta doença cerebral, ou estas doenças cerebrais, acontecem, e o conhecimento do mecanismo leva a que se tentem desenvolver medicamentos e outros tipos de tratamentos que compensem as alterações que essa informação genética nos dá”, explica.
O neurologista afirma que a escolha de Cabo Verde se deve não só à colaboração já existente entre especialistas locais e internacionais, mas também às características populacionais do arquipélago.
“ Essa relação também se vai traduzir em ações de formação. Seis neurologistas de Cabo Verde, ao longo deste ano, irão visitar-nos também em Portugal e terão a oportunidade de fazer formação adicional nesta área que chamamos de doenças do movimento, em que se inclui a doença de Parkinson. E depois, o facto de Cabo Verde ser um conjunto de ilhas e de ter sofrido, ao longo dos anos, várias migrações de população africana, europeia, judia e árabe. No fundo, há aqui uma confluência de origens do ponto de vista da população. E isso gera a possibilidade de haver alterações genéticas que podem, ao serem identificadas, abrir a porta para novos tratamentos”, afirma.
Para Helena Tolentino, vice-presidente da área de Doenças do Movimento em Cabo Verde, a identificação de genes específicos da população cabo-verdiana neste estudo poderá constituir uma contribuição científica relevante a nível mundial no estudo das doenças do movimento.
“Sendo o primeiro estudo feito em Cabo Verde das alterações genéticas dos doentes com Parkinson, é muito importante, porque, se os resultados do estudo forem numa determinada direção, por exemplo, se identificarem alguns genes particulares que existem aqui em Cabo Verde, o país dará uma grande contribuição não só para o nosso contexto, mas para a comunidade internacional relativamente àquilo que for identificado e descoberto. Portanto, entraremos também no mapa do mundo por essa via”, refere.
A investigação decorre nas ilhas de Santiago, Santo Antão e São Vicente, no âmbito de um estudo epidemiológico conduzido por investigadores internacionais.
O estudo é coordenado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em articulação com o Serviço de Neurologia do Hospital Universitário Agostinho Neto, contando ainda com o apoio da Fundação Doenças do Movimento em Cabo Verde.
homepage









