A cerimónia reuniu esta segunda-feira, nos Paços do Concelho da Brava, diversas entidades civis e militares, responsáveis das Forças Armadas, autoridades judiciais e policiais, bem como membros da sociedade civil marcando um momento considerado “histórico” para a ilha. Pela valorização do serviço público, a governante destacou o papel estratégico do destacamento na consolidação da presença do Estado na Brava.
Na sua intervenção, Janine Lélis explicou que a decisão de instalar um destacamento permanente na ilha resultou da necessidade de mitigar constrangimentos históricos associados à insularidade, sobretudo no acesso a serviços essenciais e na capacidade de resposta a situações de urgência. A presença da Guarda Costeira permitiu não só reforçar o patrulhamento da zona sul do arquipélago, mas também criar condições para intervenções rápidas em cenários críticos, nomeadamente evacuações médicas.
De acordo com os dados apresentados, ao longo de cerca de quatro anos de actividade, o destacamento realizou 91 missões de evacuação médica, tendo transportado 117 pacientes.
Números que reflectem, segundo a ministra, uma mudança estrutural na capacidade de resposta da ilha, com a criação de uma rede de emergência eficaz que anteriormente não existia. Para muitas famílias bravenses, este serviço representa hoje uma garantia acrescida de acesso a cuidados de saúde em situações limite.
Para além da componente humanitária, o destacamento tem desempenhado um papel relevante na segurança marítima. Os militares asseguram a vigilância e fiscalização das águas territoriais próximas da Brava, contribuindo para o combate à pesca ilegal e para a dissuasão de actividades ilícitas, como o tráfico de drogas. Esta presença permanente tem reforçado o controlo do espaço marítimo nacional, numa zona considerada sensível do ponto de vista estratégico.
A actuação do destacamento estende-se igualmente ao apoio às autoridades locais, nomeadamente em acções de protecção civil, resposta a desastres e iniciativas comunitárias. Segundo foi sublinhado, esta cooperação tem fortalecido a relação entre as Forças Armadas e a população, promovendo uma maior proximidade institucional e reforçando a confiança no Estado.
Durante o discurso, a ministra fez questão de destacar a dimensão humana da missão desempenhada pelos militares, sublinhando que o reconhecimento não se limita às funções cumpridas, mas abrange o compromisso, o sacrifício e a dedicação demonstrados no terreno. “Não estamos apenas a distinguir um destacamento, mas a reconhecer a entrega de homens e mulheres que colocam a vida dos outros em primeiro lugar”, afirmou.
Um dos momentos mais marcantes recordados foi o nascimento de uma criança a bordo da embarcação “Ponta Nhô Martinho”, utilizada nas operações do destacamento. O episódio, descrito como simbólico, ilustra o impacto directo do trabalho realizado, transformando uma missão de emergência num momento de vida e esperança. A criança foi evocada como um símbolo do compromisso dos militares com a protecção da vida.
Janine Lélis salientou ainda que o trabalho desenvolvido demonstra, na prática, que o Estado “não é uma abstracção”, mas sim uma presença concreta que se materializa na capacidade de resposta, na proximidade e na confiança transmitida aos cidadãos. Neste sentido, considerou que o destacamento da Brava tem sido um exemplo claro de como o serviço público pode fazer a diferença no quotidiano das populações.
A Medalha de Serviços Relevantes de 1.ª Classe atribuída ao destacamento surge, assim, como um reconhecimento institucional do mérito alcançado, mas também como um sinal dirigido ao país sobre a importância do compromisso com o bem comum. Para a ministra, “um país constrói-se com grandes decisões, mas afirma-se com gestos concretos”, sendo que, neste caso, esses gestos traduziram-se em vidas salvas, apoio prestado e segurança reforçada.
No final da cerimónia, Janine Lélis expressou profundo respeito, gratidão e admiração a todos os membros do destacamento, destacando o seu exemplo como fonte de inspiração. Sublinhou ainda que o trabalho realizado na Brava deve servir de referência para a valorização do serviço público e para o fortalecimento de uma sociedade mais solidária, coesa e resiliente.
Parte da família
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal da Brava, Amândio Brito, citado pela Inforpress, manifestou “profunda gratidão” pela distinção atribuída, sublinhando o impacto da presença da Guarda Costeira na vida dos bravenses.
O autarca realçou que a condecoração representa o reconhecimento do contributo do destacamento para a coesão territorial, protecção civil e reforço das ligações entre as ilhas do Fogo e da Brava.
No entender do presidente da câmara, o trabalho desenvolvido pelos militares “não passa despercebido” e deve servir de inspiração às gerações futuras, pelo que enalteceu o “heroísmo silencioso” demonstrado no dia-a-dia.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1270 de 01 de Abril de 2026.
homepage









