Segundo o Ministro da saúde Jorge Figueiredo a certificação obtida em 2024 não representa o fim da ameaça, mas sim o início de uma fase mais exigente.
“A certificação de Cabo Verde como país livre de paludismo, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde em 2024, deve ser entendida não como um ponto final, mas como um ponto de viragem. A certificação não é um diploma para emoldurar. É, antes de mais, uma responsabilidade para honrar. Ela reconhece o que fizemos, com muito mérito, mas, acima de tudo, testa o que seremos capazes de continuar a fazer, com elevada responsabilidade e compromisso de todos”, salienta.
O governante realçou que o combate à malária não é responsabilidade exclusiva do setor da saúde, defendendo uma abordagem multissectorial.
“Manter Cabo verde livre do paludismo exigirá uma vigilância permanente inteligente e territorialmente diferenciada. É neste ponto que a abordagem multissectorial deixa de ser uma fórmula e passa a ser uma exigência operacional. O combate ao paludismo não pertence apenas ao Ministério da Saúde, pertence também a outros ministérios envolvidos na abordagem de uma só saúde e não só. Nomeadamente aos setores do ambiente e saneamento, educação, transportes, turismo, aos municípios, às comunidades, aos meios de comunicação social, às estruturas laboratoriais, aos serviços de proteção civil, às autoridades locais e aos cidadãos”, realça.
Por sua vez, a representante da OMS, em Cabo Verde, Ann Lindstrand, destacou o país como um exemplo para a região africana, sublinhando a certificação alcançada, contudo ela não significa ausência de risco
“É precisamente aqui que Cabo Verde se destaca como um exemplo inspirador para a região africana, ao ser certificado como país livre de malária em janeiro de 2024, Cabo Verde demonstrou que a eliminação é possível, mesmo em contextos ecológicos favoráveis à transmissão. Esta conquista reflete décadas de investimento consistente em vigilância, diagnóstico oportuno, resposta rápida e controle vetorial e liderança política e técnica. No entanto, importa ser muito clara, a certificação não significa um fim do risco, pelo contrário, marca um início de fase ainda mais exigente”, sublinha.
Segundo dados apresentados pela representante da OMS, a doença continua a ser um grave problema de saúde pública a nível global, com 263 milhões de casos estimados em 2024 e cerca de 610 mil mortes, o equivalente a uma morte por minuto.
A região africana continua a ser a mais afetada, concentrando cerca de 94% dos casos globais e 95% das mortes, com maior impacto em crianças com menos de cinco anos.
Recorde-se que o país foi certificado como livre de paludismo em janeiro de 2024, sendo o terceiro na região africana juntando-se às Maurícias e à Argélia.
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