Ministério Público pede anulação de autorização para obra na praia de São Francisco

PorSheilla Ribeiro,26 mai 2026 17:42

O Ministério Público pediu ao Tribunal da Comarca da Praia a anulação da autorização concedida a uma empresa privada de 600 metros quadrados do domínio público marítimo para a construção de um empreendimento turístico na praia de São Francisco, alegando indícios de ilegalidade e riscos ambientais associados à obra em execução numa zona costeira sensível.

Em comunicado divulgado esta terça-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informa que o recurso inclui também um pedido de suspensão provisória da executoriedade do acto praticado pelo Ministro do Mar.

Segundo a PGR, a decisão surge na defesa dos direitos dos cidadãos e interesses colectivos difusos, na sequência de denúncias públicas e de elementos posteriormente conhecidos que levantaram dúvidas quanto à legalidade da concessão e à conformidade ambiental da obra em curso.

O Ministério Público refere ter constatado “

indícios susceptíveis de colocar em causa a legalidade e a conformidade ambiental da referida concessão e da obra em execução.

No comunicado, a PGR alerta ainda que a obra poderá provocar riscos acrescidos de erosão costeira e degradação ambiental, devido à construção de carácter permanente numa zona costeira considerada sensível.

No passado dia 15 a Associação Lantuna reagiu à retoma das obras na praia de São Francisco, alertando para o impacto ambiental do projeto e para a falta de transparência no processo.

Segundo a organização, o empreendimento foi licenciado pelo Instituto Marítimo Portuário (IMP) e classificado pela Direção Nacional do Ambiente (DNA), do Ministério da Agricultura e Ambiente, como projeto de categoria C.

Esta classificação dispensa a realização de Estudo de Impacte Ambiental e consulta pública, exigindo apenas um Plano de Gestão Ambiental (PGA).

A Lantuna recordou que o Decreto-Lei n.º 27/2020, de 19 de Março, determina que os processos de Avaliação de Impacto Ambiental devem ser públicos e acessíveis, conforme o artigo 37.º.

No entanto, a associação afirma que, apesar de várias tentativas, o PGA do projeto não foi disponibilizado pela DNA.

A organização considera esta situação preocupante, por se tratar de uma área sensível e de elevado interesse ambiental.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,26 mai 2026 17:42

Editado porAndre Amaral  em  26 mai 2026 17:42

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