Sustentabilidade: Grupo RIU aposta no turismo regenerativo para gerar impacto positivo nas comunidades

PorAnilza Rocha,2 ago 2026 14:03

O turismo pode ir além da criação de emprego e da dinamização da economia, assumindo também um papel no desenvolvimento das comunidades. É esta a ideia que o Grupo RIU pretende reeforçar em Cabo Verde, através de uma estratégia de turismo regenerativo.

Em entrevista ao Expresso, Catalina Alemany, Directora da Sustentabilidade do Grupo RIU, explicou que, actualmente, muitos estudiosos defendem que o turismo sustentável não pode existir, na medida em que a actividade gera sempre algum impacto negativo.

“Na verdade, qualquer actividade económica, e não apenas o turismo, produz impactos negativos. Em muitos casos, por exemplo, construir um hotel num determinado território é um impacto que nunca poderá ser totalmente compensado. Por isso, esse conceito está, do ponto de vista académico, ultrapassado”, fundamentou.

Para Catalina Alemany, “nunca será possível neutralizar completamente esses impactos”. Reflexão essa que os levou a procurar formas de fazer com que uma actividade económica também gere impactos positivos para a comunidade e para o território onde se insere.

A Directora destacou que o turismo pode assumir o papel de motor da conservação da natureza, do desenvolvimento do sector primário, da promoção de actividades económicas responsáveis, “que muitas comunidades dificilmente conseguiriam assegurar sem a actividade turística”.

De acordo com a responsável, esta abordagem exige um trabalho mais estruturado, razão pela qual a existência de uma metodologia académica (Método Riu) se tornou fundamental para orientar a intervenção da empresa.

“Hoje actuamos com critérios definidos, com uma metodologia e com rigor. Ao longo deste processo aprendemos muito. É por isso que afirmo que trabalhar com parceiros locais é fundamental, porque aprendemos imenso com eles”, referiu.

Investir em projectos para desenvolvimento económico

Para o Grupo RIU, investir na saúde não deve ser visto apenas como uma acção de carácter assistencial ou ajuda humanitária, mas como uma estratégia de desenvolvimento económico e social. Segundo Catalina Alemany, uma ilha com melhores serviços de saúde torna-se mais atractiva para o investimento e cria condições para um crescimento sustentável.

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“É por isso que investimos na saúde e na infância. Isso representa uma garantia para o futuro do território e ajuda a prevenir problemas que poderiam colocar em risco o próprio destino turístico”, argumentou.

O Consultório Infantil, inaugurado no dia 21 de Julho, representa, conforme disse, “um marco importante”, tratando-se de um projecto integrado no serviço público de saúde, assente na medicina preventiva e no acompanhamento planeado das crianças.

“Isso significa que, na Boa Vista, as crianças passarão a ir ao médico não apenas quando estiverem doentes, mas também para consultas preventivas. Ao longo dos próximos anos, isso permitirá formar uma sociedade mais saudável e mais preparada para enfrentar os desafios do futuro”, enalteceu.

Na sua perspectiva, esta iniciativa representa um exemplo concreto de turismo regenerativo, por permitir melhorar os serviços públicos de saúde e criar um modelo que poderá ser replicado noutras áreas.

"Se esta for considerada uma boa prática, poderá ser replicada noutras áreas da saúde, como a saúde dos adultos, da mulher e noutros serviços. É essa a visão de longo prazo que orienta todo o o nosso investimento social. Queremos gerar um impacto cada vez maior."

Na Boa Vista, o Grupo RIU concentra a sua intervenção em duas áreas prioritárias: a social e a ambiental. No plano social, o Consultório Solidário de Saúde Infantil continua a ser apontado como o projecto mais emblemático.

Quando se trata do ambiente, a prioridade do Grupo, enquanto cadeia hoteleira, passa também por sensibilizar os turistas para a forma como devem comportar-se perante o património natural, como a tartaruga.

"Muito em breve será publicado um estudo científico sobre esta matéria, que demonstra que Cabo Verde é hoje uma referência mundial na protecção desta espécie. Na prática, o país é um dos líderes mundiais na conservação das tartarugas marinhas. No entanto, nem sempre damos a esta realidade a importância e a visibilidade que merece", ressaltou.

Proudly Committed/Método RIU

Proudly Committed é o nome da estratégia de sustentabilidade do RIU, onde estão inseridos todos os projectos neste campo de actuação, até 2026. O Método RIU permite seleccionar os projectos que se inserem dentro das campanhas de sustentabilidade. Estas campanhas estão assentes em três pilares: Pessoas, Destinos Sustentáveis (Comunidades e Ambientes Naturais) e Transparência.

O Método RIU é uma metodologia desenvolvida em colaboração com o meio académico que assenta numa análise da realidade das comunidades, permitindo identificar as suas principais necessidades e desafios. A partir desse diagnóstico, são seleccionados os projectos a apoiar e as entidades locais responsáveis pela sua implementação.

Em entrevista ao Expresso das Ilhas, Lola Herrero, directora da Cátedra "ESCP Business School como parceiro académico do Grupo RIU Hotels & Resorts", explicou que o método foi desenvolvido com base em rigor académico e científico e permite definir projectos ajustados às necessidades de cada território, mantendo o alinhamento com as áreas estratégicas da empresa, nomeadamente infância, saúde e ambiente.

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“Já vamos quase uma década a desenvolver esta metodologia, porque precisávamos de um sistema que pudesse ser aplicado em todos os destinos onde o RIU opera, permitindo obter resultados comparáveis e avaliar de que forma estamos a contribuir, sobretudo no âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, frisou Lola Herrero.

Actualmente, todos os destinos onde o RIU opera já aplicam esta metodologia, com excepção da Tailândia, que é um destino inaugurado este ano.

Futuro

Relativamente ao futuro, Catalina Alemany revelou que o actual plano estratégico Proudly Committed termina em 2026 e dará lugar, entre 2027 e 2030, a uma nova estratégia com planos de trabalho específicos para cada destino.

Nesse âmbito, adiantou que o Grupo RIU está a preparar uma parceria com as Nações Unidas, sustentada no conhecimento proporcionado pelo Método RIU, que permite compreender a realidade local.

“Estamos preparados para este novo ciclo até 2030, levando connosco tudo aquilo que aprendemos ao longo destes 20 anos de presença em Cabo Verde”, concluiu.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1287 de 29 de Julho de 2026.

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Autoria:Anilza Rocha,2 ago 2026 14:03

Editado porSheilla Ribeiro  em  2 ago 2026 15:02

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