José Carlos Brito Presidente da FICASE - “Precisamos de mais recursos para não perdermos a qualidade”

PorAnilza Rocha,13 set 2026 11:30

A poucos dias do arranque do novo ano lectivo, a FICASE garante que estão reunidas as condições para o início das aulas, com manuais, kits escolares e alimentação assegurados. O presidente da instituição reconhece, contudo, desafios como a escassez de recursos, o aumento do custo dos géneros alimentares e a necessidade de reforçar as parcerias para garantir o apoio aos estudantes.

Toma posse a poucos dias do início de mais um ano lectivo. Está tudo preparado, do ponto de vista da acção social escolar, para que os alunos tenham as condições necessárias para começar as aulas?

Sim, estamos no processo final da preparação. É claro, tivemos alguns constrangimentos devido ao momento da transição governativa que coincidiu com o início do ano lectivo, mas já temos tudo preparado para o início do ano lectivo. Em termos de manuais, kits, géneros, estamos prontos.

Já sabe quantos alunos deverão ser abrangidos este ano pelos programas da FICASE?

A previsão é para a mesma quantidade. Todos os alunos do ensino básico, sem excepção, com alimentação nas cantinas escolares, ainda com a previsão para também abranger os alunos do 12.º ano devido ao alargamento do horário escolar. Então, este ano a nossa abrangência será maior no que se refere à alimentação.

Qual é hoje a maior dificuldade que a FICASE está a ter para garantir que nenhuma criança abandone ou deixe de frequentar a escola por razões económicas?

As dificuldades são as mesmas, as de sempre. A escassez de recursos e também a quantidade de parceiros que ainda, a nosso ver, é insuficiente. Os nossos programas têm sido financiados sobretudo pelo Tesouro. O que não é bem a política, a forma como de facto deverá funcionar, com certeza. Deveríamos também contar com os parceiros, financiadores, nacionais e estrangeiros. Estamos a trabalhar nesse sentido: reforçar as nossas parcerias, ter mais padrinhos, financiadores externos e nacionais. Para que possamos ter condições para chegar a mais alunos, a mais beneficiados.

Pretendem reforçar algum apoio em termos de kits, de alimentação ou de outras áreas?

Primeiramente, a nível das refeições escolares e da saúde também. Kits também temos a previsão de aumentar. Não tenho quantidade em números aqui, mas vamos aumentar. Porquê? Porque actualmente temos manuais de 12.º ano. Então, farão parte dos kits. Quer dizer que os alunos do 12.º ano também estarão a beneficiar dos kits, dantes não. Então, tendo em conta essa novidade dos manuais físicos do 12.º ano para este ano, a tendência é aumentar os nossos kits.

Existe o risco de algum aluno ficar sem kit, alimentação ou outro apoio por insuficiência de recursos ou por atrasos administrativos?

Existe, existe. Porquê? Porque nós gerimos a distribuição in loco. Nós concedemos kits às delegações escolares, às câmaras municipais, às associações e, muitas vezes, faltam-nos a possibilidade de fazer o seguimento in loco da sua distribuição. E nós deparamos que, nas escolas, nas delegações, existem stocks de kits que não foram distribuídos, enquanto há alunos que precisam. Então, por isso, temos esse desafio de fazer com que os apoios cheguem a quem devem chegar e não fiquem guardados. Já existem orientações às delegações escolares, aos coordenadores de acção social, no sentido de fazer com que os kits cheguem aos alunos e não fiquem guardados.

Qual é a avaliação que faz do programa de alimentação escolar?

Neste momento, a FICASE tem o cabaz básico e o cabaz complementar. Ou seja, há um reforço na qualidade da alimentação escolar. O cabaz básico é, essencialmente, construído para os géneros de alimentação básica: arroz, feijão, massa e outros. E o cabaz complementar inclui frutas, peixes, legumes, que são adquiridos nos fornecedores locais, como forma também de fomentar a economia local. Então, a FICASE, nesse momento, tem esses dois cabazes como forma de reforçar a nossa ementa e levar uma alimentação de qualidade para os alunos.

Falou-se recentemente da implementação do gás canalizado nas escolas. Em que pé está este projecto?

Já se encontra em curso. Só que algumas escolas ainda não criaram condições para que o gás seja instalado. Ou seja, teriam que construir uma casa alta. Algumas escolas ainda não o fizeram. Nas escolas onde já existem condições, o gás já se está a canalizar, com botijas de 50 kg. Em todas as ilhas já há escolas com gás canalizado. Algumas escolas, não todas. Portanto, é um projecto que já está em curso, em parceria com a ENACOL.

Temos visto que o preço dos alimentos tem aumentado. Como é que fica a FICASE nesta situação?

É um grande desafio que temos. Nos últimos anos, os preços dos géneros aumentaram cerca de 30%. Mas, no entanto, o nosso orçamento, a nossa dotação para a aquisição de géneros não aumentou. Temos que fazer uma reengenharia financeira junto com os nossos parceiros e fornecedores, para que possamos adquirir esses bens ao preço mais baixo do mercado. E é um desafio, porque não queremos perder a qualidade daquilo que fornecemos. Mas o mercado e a conjuntura geopolítica não nos têm favorecido nesse sentido.

Então, o financiamento actual não é suficiente para as responsabilidades da FICASE?

Precisa ser incrementado. Precisa de reforço. Precisamos de mais financiamento, por exemplo, na alimentação escolar. Bolsas, não digo, porque, a FICASE não gere, já é um reforço grande. Mas, em todos os nossos programas, precisamos de reforço, sim. Porque a vulnerabilidade social tem estado a aumentar, com crises de seca. Então, a previsão, a tendência é que vamos precisar de mais recursos, sim, reforçar as dotações para esses programas, para não perdermos a qualidade.

Em termos de residências, existe algum plano para essa área?

Nesse momento, temos em funcionamento cinco residências estudantis. E, por instalar, duas residências universitárias. Cá na Praia e em São Vicente. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1293 de 09 de Setembro de 2026.

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Autoria:Anilza Rocha,13 set 2026 11:30

Editado porEdisângela Tavares  em  13 set 2026 14:56

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