Medidas tomadas “não foram” suficiente para Boa Vista e Santiago – PAICV

PorSheilla Ribeiro,13 mai 2020 14:42

O líder parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Rui Semedo, disse hoje no Parlamento que as medidas inicialmente tomadas pelo Governo adiaram um pouco a propagação do vírus em todo o país, mas que “não foram suficientes para impedir que as ilhas da Boa Vista e de Santiago fossem duramente atingidas pela fúria da COVID-19”.

Enquanto intervia na Sessão Ordinária da Assembleia Nacional, que acontece hoje e quinta-feira, Rui Semedo começou por dizer que actualmente “as preocupações são enormes”, primeiramente “pelos efeitos reais e directos na vida das pessoas e das famílias que passaram a viver da solidariedade alheia”.

“As ilhas que não foram atingidas pelo vírus SARS-CoV-2 não deixaram de ser duramente afectadas pelas medidas de excepção que paralisaram as suas já débeis economias locais e submeteram as populações ao confinamento com todas as consequências impostas por uma situação com estes contornos, principalmente quando se sabe que as famílias não têm poupanças suficientes que criem almofadas para minimizar os impactos deste choque”, prosseguiu.

O país está, conforme este responsável partidário, desafiado a mobilizar-se rapidamente para encontrar as melhores soluções e devolver às pessoas e às famílias novos equilíbrios com respostas que as ajudem a restabelecer-se e a voltar a normalidade libertando-se dessa “forte dependência” que as deixa “impotentes e totalmente expostas”.

Todas as ilhas devem, do ponto de vista deste dirigente do PAICV, merecer uma atenção particular do Estado de Cabo Verde, que, acrescentou, depois desta crise tem de reinventar-se a si próprio para enfrentar o novo contexto.

“Se o país inteiro foi duramente afectado, não se pode perder de vista que as ilhas da Boa Vista e de Santiago sofreram mais com esta crise porque foram atingidas directa e fortemente pela doença. Foram afinal as principais vítimas directas da COVID-19”, frisou, completando que que “as epidemias, como a que estamos a enfrentar, deixam marcas profundas na vida das pessoas afectadas”.

Rui Semedo advogou ainda que algumas lições terão que ser tomadas nesta situação concreta em que se está a viver para se poder estar prevenido para outras situações futuras:“Para isso devemos perguntar claramente que erros ou falhas foram cometidos”, salientou.

“As autoridades assumiram que houve erros e os mesmos devem servir-nos de processo de aprendizagem para melhorar a nossa acção. Se na Boa Vista sabemos que o foco partiu de hotéis e se confinou praticamente num bairro, já em Santiago, e mais particularmente Praia, teremos que saber quais são as condições óptimas que foram encontradas para permitir a fácil propagação da doença e podermos agir sobre elas”, defendeu.

Na Praia, afirmou Rui Semedo, por mais que não se queira alarmar as pessoas, “a situação é muito grave”, desde logo porque, pontuou, “o número de infectados é expressivo” mas também “porque não se sabe com exactidão” o que poderá acontecer nos próximos dias ou nos próximos meses.

“Entendemos as posições das autoridades que não querem ver a população em pânico, mas a situação da Praia preocupa-nos a todos quando sabemos que já ultrapassamos a cifra de duas centenas de casos numa população inferior a 200 mil habitantes. O que é que não terá funcionado bem na Praia?”, questionou.

O PAICV, disse o seu líder parlamentar, está ainda preocupado com o facto de “todo esse crescimento” de infectados está a acontecer em pleno estado de emergência em que as pessoas deveriam estar confinadas de circulação extremamente limitada e com contacto muito reduzido.

“Deverá existir alguma razão para desvendar este mistério. Outra razão da preocupação da preocupação é a infecção dos profissionais de saúde, dos profissionais da segurança, pessoas que têm sob a sua alçada a missão de nos garantir a saúde e a segurança”, pontuou o parlamentar rendendo homenagem a esses profissionais de contacto e da linha de frente no combate a COVID-19 e desejando que tenham uma rápida recuperação.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,13 mai 2020 14:42

Editado porSara Almeida  em  14 mai 2020 12:13

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