"Tive uma vida plena, cheia, de que muito me orgulho" - Onésimo Silveira

PorExpresso das Ilhas, Inforpress,29 abr 2021 10:30

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Recuperamos o essencial da biografia de Onésimo Silveira, que morreu hoje, no Mindelo, aos 86 anos.

Onésimo Silveira nasceu em São Vicente a 16 de Fevereiro de 1935. 

Passou a infância entre o Lameirão, Baleia e a cidade do Mindelo, estudou a instrução primária na escola da Ribeira Bote e entrou para o liceu em 1947, tendo concluído o curso geral antes de se mudar para Lisboa, para estudar enfermagem.

Em Portugal, que Silveira frequenta a Casa dos Estudantes do Império (CEI), convive com estudantes de outras colónias e desperta para o nacionalismo africano.

Entre 1956 e 1959, depois de uma curta estada em Cabo Verde, Onésimo embarca clandestinamente para São Tomé, onde passa a viver, e trabalha como meteorologista e animador radiofónico, entre outras actividades. Priva com Alda Espírito Santo e outros elementos da elite local e começa a publicar no jornal A Voz de São Tomé, na revista Claridade, no Boletim de Cabo Verde e no Boletim dos Alunos do Liceu Gil Eanes. Em 1960, passa por Angola, onde publica a noveleta “Toda a gente fala: sim senhor”, sobre a situação dos contratados em São Tomé e Príncipe.

Devido à perseguição movida pela PIDE (polícia política do regime do Estado Novo), Onésimo Silveira muda-se para a Holanda a bordo de um navio mercante. Passa pela China e pela Suécia. Neste último país, ainda na década de 60, torna-se representante do PAIGC. Regressaria à Suécia mais tarde, para fazer o seu doutoramento, na Universidade de Uppsala.

Morreu Onésimo Silveira

Onésimo Silveira morreu esta quinta-feira, 29, aos 86 anos. A notícia foi comunicada durante a sessão da Assembleia Municipal de São Vicente (AMSV), levando à suspensão dos trabalhos. Numa primeira reacção à notícia, a presidente da AMSV, Dora Pires, dá conta da sua consternação e definiu Onésimo Silveira como "um homem que sempre fez a luta em prol da liberdade e da democracia cabo-verdiana".

Primeiro presidente eleito da Câmara Municipal de São Vicente (1991-2002). Venceu três eleições autárquicas à frente dos movimentos independentes MPRSV e ATS, fundou um partido político (PTS) e um movimento cívico (Espaço Democrático), foi deputado da Nação, embaixador e candidato a presidente da República.

Combatente nacionalista, privou com Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade, Olof Palme, Karl Popper, Leópold Senghor, Julius Nyerere e Jacob Zuma, entre outras personalidades.

Nos EUA, onde viveu nos anos 70, conviveu com o músico Horace Silver, o escritor James Baldwin e o actor e cantor Harry Belafonte, entre outros.

A última batalha que travou foi a da regionalização, por considerar que a ilha de São Vicente, “se não quer ser escravizada como no passado”, tem de ter poderes para “de certa maneira se auto determinar”.

“Esta será certamente a minha última batalha mas não deixarei de atirar uma pedrada sempre que aparecer alguém a tentar pôr os pés em cima desta realidade histórica transcendente que é São Vicente”, declarou a 7 de Julho de 2015, quando recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Mindelo.

Seis meses depois, a 29 de Janeiro de 2016, por ocasião do lançamento do livro Onésimo Silveira – uma vida, um mar de histórias, de José Vicente Lopes, Germano Almeida classificou Onésimo de “colosso”, dono de uma vida “tão cheia, aventurosa, diversificada e rica”.

Nesse mesmo livro, Onésimo Silveira declara: “Tive uma vida plena, cheia, de que muito me orgulho. Não sou nem arrependido, nem desiludido da política, ainda que o futuro de Cabo Verde e da minha ilha em particular me preocupe bastante. Graças à política tive uma vida que poucos em Cabo Verde podem apresentar. A haver um julgamento da História, eu estou pronto para esse julgamento, porque um homem como eu não pode temer um tal julgamento”.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Inforpress,29 abr 2021 10:30

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  14 mai 2021 12:19

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