"O povo está a dizer-me que serei vencedor das eleições de 17 de Outubro"

PorAntónio Monteiro,19 set 2021 8:33

Hélio Sanches, o primeiro cidadão a anunciar a sua candidatura à corrida presidencial, diz que a motivação para se candidatar ao cargo de presidente da república é de contribuir para um Cabo Verde mais justo, mais solidário e com oportunidades para todos.

Qual é a sua motivação para se candidatar à presidência da república?

A minha motivação é servir Cabo Verde, é servir o meu país. Qualquer cabo-verdiano que se sinta preparado para exercer qualquer cargo político, incluindo obviamente o cargo de Presidente da República, deve disponibilizar-se para servir esta grande nação que é a nação cabo-verdiana. Portanto, é esta a minha motivação, servir o meu país e contribuir, nesta fase muito difícil do nosso processo de desenvolvimento, para um Cabo Verde mais justo, mais solidário e onde há oportunidades para todos. A pandemia da Covid-19 que afecta o mundo e o nosso país veio mudar a nossa forma de ser e a nossa forma de viver. A pandemia separa hoje o velho mundo do novo mundo. Ou seja, da velha normalidade e da nova normalidade. Eu sou um político da nova normalidade. Um político jovem, disponível para trabalhar para Cabo Verde, com uma nova visão de Cabo Verde. Esta é a diferença entre mim e os meus dois principais adversários: o dr. Carlos Veiga e o dr. José Maria Neves.

Rigorosamente você tem seis adversários.

Sim, são seis, mas os meus principais adversários nesta corrida, não haja dúvidas, são os candidatos que são suportados pelo MpD, o dr. Carlos Veiga, e pelo PAICV, o dr. José Maria Neves. São políticos que serviram o país durante o período de partido único e serviram também o país na era democrática. Neste momento, entendemos que tudo aquilo que tinham para dar a Cabo Verde, já deram, e que agora chegou o momento das novas gerações assumirem também as rédeas na condução do nosso país. E eu represento efectivamente essa nova geração. Estou convencido de que a minha candidatura vai surpreender muita gente, porque é uma candidatura vencedora. Por aquilo que eu tenho falado todos os dias com os cabo-verdianos eu noto que há uma grande vontade de mudança dos políticos. Aliás, a UCID trouxe nas últimas eleições legislativas o slogan ‘Basta dos Mesmos’ que, de facto, vai ao encontro da idiossincrasia actual dos cabo-verdianos, ou seja, daquilo que os cabo-verdianos pensam. Por outro lado, os dois candidatos apoiados pelos partidos são candidatos que, do nosso ponto de vista, não têm o perfil adequado para o figurino constitucional que nós temos neste momento. Isto porque são candidatos que, nos seus percursos políticos, criaram conflitos internos nos seus partidos, dividiram os seus partidos, dividiram a nação cabo-verdiana e, por isso, do nosso ponto de vista não têm esse perfil. É que o perfil traçado na nossa Constituição para o Presidente da República é de um presidente que une os cabo-verdianos, um presidente que é o árbitro do sistema político, um presidente que consegue reunir todos os actores políticos à volta de uma mesa e discutir os grandes problemas de Cabo Verde, independentemente da cor política, independentemente das suas orientações políticas, portanto um presidente que deve ser o elo de ligação entre a nação cabo-verdiana, entre os cabo-verdianos residentes e os cabo-verdianos na nossa diáspora.

Historicamente os candidatos que venceram as eleições presidenciais tinham uma grande máquina por detrás. Com que apoios conta?

Como eu lhe disse, o mundo mudou e os cabo-verdianos são inteligentes. Eu não tenho dúvidas de que a máquina partidária é muito importante em Cabo Verde em quaisquer eleições, mas olhe que os cabo-verdianos têm dado provas agora de grande maturidade política, de saber distinguir as coisas, de saber distinguir as eleições legislativas e autárquicas das eleições presidenciais. E a máquina partidária, por mais importante que seja, pode não influenciar muito o povo. Como disse, tenho consciência de que é muito difícil uma candidatura como a minha conseguir vencer, mas estou seguro que nestas eleições haverá surpresas. Por aquilo que o povo está a dizer-me eu serei vencedor das eleições do dia 17 de Outubro.

Perguntava com que apoios conta a sua candidatura?

Eu não tenho nenhuma máquina partidária atrás de mim. Eu tenho personalidades da sociedade civil e de todos os partidos políticos que me apoiam. No meu núcleo duro do Movimento de Apoio à Candidatura de Hélio Sanches (MACHS-2021) tenho personalidades da UCID, do PAICV, do MpD e do PP. Estão comigo. Sinto-me muito reconfortado com todos esses apoios, mas também tenho apoio da nossa juventude. Esta é a diferença entre o candidato Hélio Sanches e os demais candidatos. Por exemplo, o dr. José Maria Neves não consegue ter na sua candidatura personalidades do MpD e o dr. Carlos Veiga seguramente que não tem ninguém do PAICV na sua candidatura. Isso demostra que são dois candidatos marcadamente partidários. O dr. Carlos Veiga confunde-se com o MpD e o dr. José Maria Neves confunde-se com o PAICV. Portanto, são candidatos marcadamente partidários. Eu fui o primeiro cidadão a lançar-se nesta corrida presidencial e eu disse que a minha candidatura era independente e que eu não condicionava a minha candidatura a nenhum apoio partidário. Muita gente não acreditou na minha candidatura e hoje a minha candidatura está a tirar o sono a alguns candidatos.

Qual a sua visão geral do estado do país?

Cabo Verde evoluiu muito desde a nossa independência até hoje. Não há dúvidas. Eu considero que o estádio do nosso desenvolvimento passou por três fases. A primeira fase que foi de 1975 a 1990, com a criação e consolidação do Estado de Cabo Verde, regime de partido único; depois tivemos a segunda fase, a chamada segunda república que se iniciou em 1991 com a implantação do regime democrático em Cabo Verde; e temos neste momento uma terceira fase, em que eu considero que estamos a viver praticamente numa terceira República. Digo que estamos numa terceira República, porque estamos a viver um novo mundo, um mundo diferente, pois esta pandemia separou o mundo velho, a velha normalidade, deste novo mundo que é a nova normalidade. O velho mundo jamais será doravante o mundo em que nós vivemos. O país desenvolveu-se bastante, mas agora nós temos outros desafios. Temos que ter uma nova visão para Cabo Verde. Agora temos que trabalhar efectivamente para que a democracia económica e social tenha os seus frutos, junto dos cidadãos, porque a democracia só tem sentido se os seus efeitos se repercutirem na vida das pessoas; se as pessoas saem da pobreza; se as pessoas vivem com dignidade; se as pessoas saem do desemprego; se nós conseguirmos eliminar as grandes injustiças que existem ainda em Cabo Verde.

Quais são as principais linhas orientadoras da sua candidatura?

Em primeiro lugar, eu serei um presidente muito atento às questões sociais, às questões das desigualdades socais que ainda existem em Cabo Verde. Estarei muito atento à questão da Justiça, nomeadamente à questão da morosidade da Justiça. Nós temos que resolver definitivamente a questão da morosidade da justiça que, de facto, é um calcanhar de Aquiles que temos. Como Chefe do Estado, como conhecedor desta matéria, porque sou advogado, eu tomarei todas as iniciativas no sentido de ajudar o governo a resolver esses problemas, porque são matérias da competência do governo, mas o Presidente da República pode exercer a sua magistratura de influência aqui. Irei reunir-me com os Conselhos das Magistraturas do Ministério Público e Judicial, com o sr. Procurador Geral da República, com o sr. presidente do Supremo Tribunal da Justiça, com o sr. presidente do Tribunal Constitucional e com o governo, através da sra. Ministra da Justiça, mas também com a sociedade civil, para juntos encontrarmos as melhores soluções para a nossa Justiça. Mas não é só a questão da morosidade. Eu darei uma atenção muito especial à questão do acesso à Justiça. Nós temos muitos cabo-verdianos que infelizmente não conseguem ter acesso à Justiça. É verdade que existe o patrocínio judiciário através da Ordem dos Advogados, mas eu quero que os cidadãos tenham bons advogados, pois muitas vezes não são os melhores, que a Ordem lhes oferece. E muitas vezes os cidadãos perdem as suas causas porque não conseguem ter acesso a um excelente advogado. Uma outra prioridade minha será a Segurança. Eu, como Presidente da República, tudo farei para que Cabo Verde venha a ter a Segurança que nós merecemos. Todos os governos, nomeadamente os anteriores, o governo do dr. José Maria Neves, têm uma grande responsabilidade nesta questão da insegurança em que nós vivemos. E ele não conseguiu resolver esta questão. O actual governo está a herdar um problema da segurança que vem do tempo do governo do dr. José Maria Neves. Ele falhou redondamente no sector da Segurança, por isso, ele tem estado a dizer que se for Presidente da República criará as condições para resolver a questão da Segurança, mas ele como Chefe do Governo, onde tinha meios, não conseguiu resolver esta questão. Portanto, não é agora, se for eleito, que ele irá conseguir. Eu dou a minha garantia aos cidadãos cabo-verdianos de que estarei na linha da frente para resolver estes problemas, pois a Segurança é um activo para Cabo Verde. Nenhum investidor vem a Cabo Verde se não tivermos Segurança. Os nossos próprios cidadãos deixam de ter confiança nos governantes por causa desta situação. São essas, grosso modo, as linhas prioritárias da minha presidência. Mas, como já disse, estarei também muito atento às questões da soberania, serei um presidente que terá uma relação de excelência com todos os órgãos da soberania, nomeadamente com o executivo, portanto o governo, com o legislativo, que é o parlamento e com o judicial, a justiça. Num país democrático todas a instituições devem funcionar normalmente. O PR tem o dever de selar para o bom funcionamento das instituições da República.

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Quem é Hélio Sanches?

Hélio de Jesus Pina Sanches, nascido na Cidade de Assomada, é casado e pai de quatro filhos.  Licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito de Rabat – Marrocos, tem uma pós-graduação  em Direito Processual Penal pelo ICJS, de Cabo Verde e pela Faculdade de Direito de Lisboa.  Hélio Sanches é advogado e consultor jurídico de profissão. Foi deputado nacional, líder do Grupo  Parlamentar da África Ocidental no Parlamento Pan Africano e Secretário-Geral do Governo de Cabo Verde,  entre outros cargos exercidos. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1033 de 15 de Setembro de 2021.  

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Autoria:António Monteiro,19 set 2021 8:33

Editado porJorge Montezinho  em  20 set 2021 10:57

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