A posição foi defendida hoje na abertura da conferência “Mercado de Trabalho em Cabo Verde: Competências para uma Nova Economia”.
“Nova geração de políticas de emprego deve integrar de forma coerente as políticas macroeconómicas de pró-emprego, fiscais monetárias e cambiais, políticas industriais, sectoriais e investimento,incluindo transição verde, digital, economia de cuidados, ambiente favorável às empresas sustentáveis, com especial enfoque no setor privado, com principal criador de emprego, a educação, formação profissional e desenvolvimento de competências alinhadas com as necessidades do mercado de trabalho”, defendeu.
Na sua intervenção, Eurico Monteiro salientou os progressos registados no país na última década, apontando, por exemplo, a redução da taxa de desemprego de 15,8% em 2014 para 7,5% no primeiro semestre de 2025, o que representa uma descida de 8,3 pontos percentuais.
Segundo indicou, os grupos etários entre os 25 e os 34 anos e entre os 35 e os 64 anos apresentam hoje taxas de emprego relativamente elevadas, embora persista uma situação mais preocupante entre os jovens dos 15 aos 24 anos, cuja taxa de emprego ronda os 30%.
“A transição entre a escola e o trabalho continua a exigir um esforço acrescido”, reconheceu.
Também apontou que a taxa de desemprego jovem se situa em 14,9% no grupo dos 15 aos 24 anos e em 8,4% entre os 25 e os 34 anos. Apesar dos ganhos alcançados, Eurico Monteiro alertou para os desafios colocados por um mundo volátil, complexo e ambíguo, cujos impactos se fazem sentir no tecido social e no mercado de trabalho cabo-verdiano.
Entre as principais preocupações, destacou os efeitos da globalização sobre as pequenas economias, a mobilidade da mão-de-obra, o desencontro entre as aspirações da nova geração e as oportunidades disponíveis, bem como os riscos associados à automação e à digitalização.
“A literacia digital pode aprofundar desigualdades se não forem tomadas medidas adequadas”, advertiu, referindo estudos recentes que apontam para o risco de as novas tecnologias aumentarem a distância entre países ricos e pobres, com possíveis consequências negativas para o emprego nas economias em desenvolvimento.
Entre as metas traçadas para 2030, Eurico Monteiro recordou a ambição de um mercado de trabalho que garanta o pleno emprego, com taxas de desemprego abaixo de 4,2% entre os jovens e 5,9% entre as mulheres, maior cobertura da protecção social e redução das desigualdades regionais e de género. “
As políticas devem ser centradas no ser humano, na inclusão e na igualdade”, frisou.
O governante realçou ainda a importância do diálogo social tripartido como pilar das políticas públicas, defendendo que este é fundamental para assegurar a coerência das medidas, aumentar a sua aceitação social e responder às necessidades reais de trabalhadores e empregadores.
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