Nas primeiras declarações após os dados provisórios das eleições, na sede nacional da UCID, em São Vicente, João Santos Luís admitiu que “as eleições não correram bem” para o partido.
Mas considerou que o processo eleitoral ficou marcado por “muita sujeira” e “atitudes antidemocráticas” em todas as ilhas e na diáspora.
O dirigente considerou que a elevada taxa de abstenção, que estimou em cerca de 50 por cento (%) a nível nacional, demonstra o afastamento dos cidadãos da participação política.
“Nós apelámos a uma participação massiva dos cidadãos cabo-verdianos, isso não aconteceu. Podemos considerar que, mais uma vez, é a abstenção quem vence estas eleições legislativas”, afirmou.
João Luís mostrou-se particularmente desiludido com os resultados em São Vicente, círculo eleitoral onde a UCID perdeu metade da representação parlamentar, passando de quatro para dois deputados.
Para a mesma fonte, a UCID realizou uma campanha “terra a terra” e “porta a porta” em todas as zonas da ilha e sublinhou o partido “foi o principal defensor dos interesses de São Vicente no parlamento nos últimos anos”.
“O povo de São Vicente trocou o disco para tocar a mesma música”, afirmou, sustentando que a vitória do MpD ou do PAICV “representará perdas para a ilha”.
Mas, segundo o líder da UCID, estes resultados justificam-se porque houve utilização “massiva e expressiva de recursos públicos por parte de câmaras municipais e do Governo em benefício MpD e do PAICV, que “manipularem o eleitorado” durante a campanha eleitoral.
Apesar da derrota, o presidente da UCID assegurou que o partido continuará a defender um projecto alternativo para o país, sustentado que tem propostas para a economia, justiça, segurança, emprego e desenvolvimento socioeconómico.
“A luta continua, nós perdemos uma batalha, mas não perdemos a guerra”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de negociações políticas num eventual cenário sem maioria absoluta, João Santos Luís escusou-se a avançar posições, alegando que ainda aguarda os resultados oficiais da Comissão Nacional de Eleições (CNE).
Nas eleições de hoje, cinco partidos políticos - PAICV, MpD, UCID, PTS e PP - concorrem aos 72 mandatos de deputado, distribuídos por 13 círculos eleitorais, dos quais dez no território nacional e três na diáspora.
As últimas eleições legislativas em Cabo Verde ocorreram no dia 18 de Abril de 2021, tendo o MpD vencido com maioria absoluta, ao eleger 38 deputados, contra 30 do PAICV e quatro da UCID.
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