Questionado sobre se o Governo deve avançar com esse processo, o representante do PAICV no debate, Nilton Silva, respondeu afirmativamente.
“O PAICV vai fazer. E quero dizer ao MPD e à UCID que sim, vamos colocar isso fora, para que as pessoas possam saber verdadeiramente como é que está o seu dinheiro. Quando o governo chegou encontrou a governação para o povo, para a rua, e a governação dentro da gaveta do escritório. Encontramos um orçamento escondido no Ministério das Finanças, uma reprogramação para 102.7 mil milhões de escudos, ou seja, uma diferença de cerca de 8,4 mil milhões de escudos. E neste momento a execução é de cerca de 90% em seis meses”, afirma.
O MpD considera que o PAICV fala numa alegada derrapagem de cerca de oito milhões de contos no Orçamento de 2026 “porque pretendia aumentar a despesa para cumprir as promessas eleitorais de gratuitidade na saúde e no ensino superior público”. A deputada Lídia Lima garante que o maior partido da oposição não receia uma auditoria independente às contas públicas.
“Com alguma inexperiência, talvez, da Secretária de Estado e com um ministro das Finanças, que é o próprio Primeiro-Ministro, que não é da área das finanças, que não consegue entender os números e que no Parlamento não se pronunciou sobre nada, nós temos também de refletir se devemos ou não acreditar no pronunciamento e nas declarações do PAICV relativamente a esta matéria. Nós temos feito um trabalho de transparência. Introduzimos a transparência na Administração Pública, nas contas do Estado e nas contas do próprio Ministério das Finanças. Nós não tememos uma auditoria. Agora, realmente nós temos é de comunicar bem com a nossa população, não trazer informações que não estejam devidamente comprovadas, para não confundirmos a opinião pública”, refere.
A UCID pede contenção e alguma reserva em declarações que podem colocar em causa a credibilidade externa do país. António Monteiro considera que uma auditoria faz todo o sentido, porque permite esclarecer a população sobre a gestão dos recursos públicos.
“Porque ninguém gera o dinheiro pessoal na função pública. O dinheiro é dos contribuintes. E todo o tostão que é gasto deve ser devidamente enquadrado, e quem paga os impostos deve saber como é que o dinheiro dele foi gasto. E eu gostaria ainda mais, porque quando eu ouço que 90%, disse agora o Nilton, 90% do orçamento já foi gasto no mês de junho, eu preciso clarificar essa situação o mais rapidamente possível”, realça.
A UCID defende que o equilíbrio orçamental é fundamental na elaboração dos orçamentos, mas alerta para a evolução do défice no orçamento retificativo. Segundo o partido, o défice passou de 0,9% para 1,9%, o que poderá obrigar o Estado a recorrer a mais empréstimos.
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