Paulo Veiga contesta dados do GAPE e exige resultados “mesa a mesa”

PorSheilla Ribeiro,9 set 2026 12:27

O candidato à liderança do MpD, Paulo Veiga, contestou hoje os dados apresentados pelo Gabinete de Processo Eleitoral (GAPE), alegando divergências entre os resultados divulgados e as actas na posse da sua candidatura, e exigiu a divulgação dos resultados completos e oficiais, mesa a mesa.

Paulo Veiga fez estas declarações durante uma conferência de imprensa realizada hoje na sede da candidatura.

Conforme afirmou, a sua candidatura venceu em Santiago Sul, no Maio, na Brava, na Boa Vista, no Sal, em São Nicolau, em São Vicente e em Santo Antão, bem como na Europa, nos Estados Unidos e em África.

“Dos círculos onde a eleição se realizou, apenas em Santiago Norte não fomos a candidatura mais votada, e isto não é uma projecção, não é uma sondagem, não é uma interpretação política produzida pela nossa candidatura. São resultados eleitorais que resultam das actas”, declarou.

“E começo precisamente pelas actas, porque ontem ouvimos falar muito de Verdade. Ainda bem: também nós acreditamos que democracia se faz com Verdade. A diferença, talvez, esteja na definição de Verdade. Para nós, verdade eleitoral não é aquela que se selecciona, se trabalha e depois se apresenta numa conferência de imprensa. A verdade eleitoral está nos votos, e os votos estão nas actas”, prosseguiu.

Neste sentido, Paulo Veiga diz-se preocupado com a conferência de imprensa dada ontem pela GAPE.

“E quero ser muito claro, aquilo que nos preocupa não são apenas alguns números apresentados. Preocupa-nos como esses números foram construídos, a informação seleccionada, a informação omitida, quem teve acesso a essa informação e quando teve acesso. E preocupa-nos, acima de tudo, aquilo que esta forma de conduzir o processo diz sobre o MpD que temos hoje. Porque foi precisamente para mudar esta forma de fazer política que nos candidatámos”, apontou.

Segundo disse, a sua candidatura não foi oficialmente informada de que a eleição não se tinha realizado na Bélgica, nem do que aconteceu numa das mesas de Santo Antão.

“Soubemos pela comunicação social que seria realizada uma nova votação na Bélgica. E o caso de Santo Antão ilustra bem esta falta de rigor. Na Ribeira Grande, o próprio mandatário da candidatura de Herménio Fernandes contradisse publicamente a versão apresentada pelo GAPE sobre o que ali aconteceu”, acusou.

Na manhã da conferência de imprensa do GAPE, acrescentou, a mandatária de uma das candidaturas apresentou publicamente dados e argumentos que, algumas horas depois, apareceriam na comunicação do próprio GAPE.

“Não vou fazer acusações para as quais não tenho provas, essa não é a minha forma de fazer política. Mas também não vou insultar a inteligência dos militantes fingindo que não existe uma pergunta óbvia, ou seja, essa candidatura teve acesso antecipado a informação do GAPE? Se teve, porquê? Quem a disponibilizou? Quando? E por que razão não foi disponibilizada exactamente a mesma informação, no mesmo momento e nas mesmas condições, às restantes candidaturas?", Se não teve, então certamente haverá uma explicação para uma coincidência tão extraordinária. Estamos disponíveis para a ouvir”, 

Entretanto, segundo Paulo Veiga, a questão mais séria são os próprios números.

“Temos atas, temos documentos assinados nas mesas eleitorais, temos resultados recolhidos pelos nossos representantes. E quando cruzamos esses documentos com alguns dos números apresentados publicamente, eles não batem certo”.

No Sal, por exemplo, apontou que o somatório dos votos nelas registados, assinadas no domingo, dá 306 votos para a sua candidatura e que o GAPE anunciou 276.

Na Praia, pelas atas, a votação foi Paulo Veiga com 665 votos e Herménio Fernandes com 424.

“Reitero que estes números resultam das atas de todas as mesas da Cidade da Praia, preenchidas e assinadas no domingo, e acreditamos que o GAPE terá cometido um erro de contagem e que terá a honestidade de corrigir os seus números provisórios com base na verdade”, complementou.

Paulo Veiga reforçou que preocupa-lhe, acima de tudo, os números de Santa Catarina cujas atas e cujos números estão disponíveis desde domingo, e que o GAPE insiste em não divulgar.

“Permitam-me esclarecer este ponto com base nas atas, a minha candidatura ganhou Santa Catarina por 99 votos de diferença. Pedimos que o GAPE divulgue essas atas, e que divulgue as atas oficiais, aquelas assinadas pelos delegados e que, repito, já temos desde domingo”.

Paulo Veiga argumentou que a razão da sua candidatura foi devolver o MpD aos seus militantes, por encontrar um partido onde as bases são chamadas a participar, mas nem sempre são chamadas a decidir que por isso, não aceita que, após os militantes falarem nas urnas, a sua vontade possa ser filtrada, selecionada ou reinterpretada dentro de gabinetes.

“O MpD não pode ser decidido por um grupo restrito de pessoas. Não pode ser propriedade de uma direção, não pode ser propriedade de um Governo, não pode ser propriedade de nenhum dirigente. O MpD pertence aos seus militantes”, defendeu.

O candidato à presidência do MpD assegurou que quer um GAPE forte, respeitado e cuja palavra seja suficientemente credível para que, no final de uma eleição, vencedores e vencidos possam olhar para os resultados e não ter qualquer dúvida sobre o processo.

“Questionar decisões do GAPE não é atacar o GAPE. E é isso que estamos a fazer hoje. Queremos os resultados completos, os resultados mesa a mesa. Queremos compreender as diferenças entre esses resultados e as atas de que dispomos”, explicou.

Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião. Comente ou partilhe este artigo.

Autoria:Sheilla Ribeiro,9 set 2026 12:27

Editado porSheilla Ribeiro  em  9 set 2026 17:19

pub
pub.

Últimas no site

    Últimas na secção

      Populares na secção

        Populares no site

          pub.