Aumento de preço do óleo de cozinha pressiona renda dos mais pobres e informais

PorSheilla Ribeiro,11 mar 2022 10:16

O aumento do preço do óleo de cozinha verificado nos últimos dias, deixou preocupadas várias famílias que já tinham dificuldades e vendedores informais, reduzindo o poder de compra.

Na rua, o Expresso das Ilhas falou com donas de casas que se mostraram preocupadas com este aumento. É o caso de Ariana Moreira que fala num impacto negativo nas compras do final do mês.

Conforme explica, se antes tinha um orçamento de dez mil escudos para a compra mensal, agora vai ter de diminuir os gastos com outros bens de modo a aumentar o valor para a compra dos alimentos.

“Primeiro porque o preço do pão aumentou e agora o óleo. Sem falar nos outros produtos que tiveram um aumento de mais 20, 30 ou 50 escudos. Não houve nenhum aumento de cinco escudos. Nunca tinha acontecido tanto aumento”, lamenta.

Entretanto, Ariana Moreira admite usar o óleo apenas para fritura e confecção de bolos. Mas, a partir de agora, cogita optar pela manteiga.

Por sua vez, Debora Tavares pede a intervenção do governo, uma vez que nem toda família vai conseguir comprar o óleo no valor actual, tendo em conta o aumento do preço de produtos como arroz e pão. Ou por falta de emprego, ou pelo salário baixo.

“Por exemplo, na minha casa agora vai ser complicado comprar um litro de óleo e fico a pensar noutras famílias que tem um rendimento ainda menor do que o meu. Antes comprava três litros de óleo pelo preço que vou ter de pagar por um litro”, relata.

Débora Tavares diz que a partir de agora não vai poder comprar sequer uma garrafa de óleo. A dona de casa revela que vai passar a cozinhar o arroz sem óleo e eliminar os fritos. Usar o azeite está fora de cogitação, tendo em vista que o preço é ainda maior.

Outro efeito do aumento do preço do óleo é a redução na renda dos vendedores informais. É o caso de Amara Pereira que vive da venda de almoços e bolos.

“Eu prevejo uma diminuição das vendas. Porque com o aumento do preço do óleo vou ter de aumentar o preço da comida. Por dia uso no mínimo uma garrafa de um litro de óleo porque tenho de fritar e tenho vários pedidos de bolos de aniversário”, aponta.

Dona Amara afirma que não quer aumentar o preço do almoço que passou de 150 para 250 escudos devido ao aumento generalizado dos preços de alimentos e, entretanto, não vê outra solução.

“Espero que não haja mais aumentos e, se possível, que os preços voltem a diminuir porque pretendo fazer mais produtos que com os preços actuais não será possível”, frisa, admitindo que ontem, tendo o conhecimento de que hoje o óleo custaria mais recorreu ao açambarcamento do mesmo.

Em declarações à Inforpress, o Inspector-geral das Actividades Económicas, Paulo Monteiro, disse que a IGAE já tem conhecimento da situação, mas que “infelizmente” não pode fazer nada porque o produto é de venda liberalizada.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,11 mar 2022 10:16

Editado porAndre Amaral  em  6 out 2022 23:28

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