Assinatura do contrato de concessão “é a concretização da confiança” em Cabo Verde

PorAndre Amaral,25 jun 2022 8:00

Thierry Ligonnière, Membro do Conselho de Administração da VINCI Aeroportos
Thierry Ligonnière, Membro do Conselho de Administração da VINCI Aeroportos

Thierry Ligonnière, presidente da comissão executiva da ANA Aeroportos de Portugal e membro do conselho de administração da VINCI Aeroportos, esteve presente na edição deste ano do Cabo Verde Investment Forum que decorreu no Sal. Em conversa com o Expresso das Ilhas este responsável explica quais os objectivos da empresa para o mercado nacional.

Quais são os objectivos da VINCI com o contrato de concessão dos aeroportos e aeródromos em Cabo Verde?

A VINCI tem, desde há algum tempo, vindo a desenvolver contactos com o governo de Cabo Verde e o nosso objectivo é participar, acompanhar o governo de Cabo Verde na implementação das suas políticas públicas. O governo tem o objectivo de desenvolvimento do tráfego, tem objectivos ambientais, objectivos de criar externalidades positivas para o país em termos sociais, em termos económicos e isso é o coração do nosso mètier, o que nós sabemos fazer e temos vindo a fazer em Portugal e em muitos mais países. A VINCI Airports agora está a trabalhar em 53 países, contando com os aeroportos e aeródromos de Cabo Verde seriam 60 aeroportos. Estamos a trabalhar em várias capitais como Londres, Lisboa, Santiago do Chile e temos adquirido um know how, um conhecimento, da gestão aeroportuária, da parte técnica, operacional e comercial. Conhecemos bem as companhias aéreas, temos desenvolvido um relacionamento muito bom, de confiança, fruto do desenvolvimento de rotas que tiveram sucesso económico e comercial para as companhias aéreas. A ideia é capitalizarmos este conhecimento e disponibilizarmos estas competências para a concretização das políticas públicas de Cabo Verde.

A VINCI tinha sido contratada em 2016 para realizar um estudo sobre a viabilidade da concessão dos aeroportos. Que conclusões é que tiraram na altura?

A conclusão é que há potencial. O que vamos ter em breve, com a assinatura do contrato de concessão, é a concretização da confiança no potencial que se detectou naquela altura em relação à capacidade de criar turismo, de criar um desenvolvimento económico utilizando as infraestruturas aeroportuárias como uma ferramenta para alavancar a economia de Cabo Verde.

Notou-se, por exemplo no Aeroporto de Lisboa, o crescimento desde que a VINCI tomou conta do aeroporto. Vocês têm alguma previsão a nível de volume de negócios, por exemplo, para os aeroportos nacionais?

Sim, temos. Porque a ideia é fazer uma aposta. Quando há um concessionário de infraestruturas que toma conta da gestão de aeroportos, por exemplo, esse concessionário assume o risco do tráfego. Ele vai fazer investimentos, desenvolvimentos e aposta na sua capacidade de criar tráfego para recuperar os seus investimentos. Nós estamos a apostar. Não só acreditamos, mas apostamos na nossa capacidade de criar tráfego em Cabo Verde. E essa criação de tráfego tem impacto positivo no país, na economia, no emprego. É isso que nós fazemos.

A notícia da VINCI ter ficado com a concessão dos aeroportos de Cabo Verde teve eco internacional. Já há contactos feitos convosco por parte de companhias aéreas interessadas em voar para Cabo Verde?

Claro. Quando houve esta manifestação de interesse da nossa parte de vir trabalhar para Cabo Verde houve contactos. Mas já havia antes, falamos com as companhias aéreas com bastante antecedência sobre qual é a avaliação que fazem do potencial do destino, quais são as condições de que precisam para desenvolver o seu negócio e estas conversas fazem-se com base na confiança. Porque temos este relacionamento bastante antigo e de confiança com as companhias aéreas e, portanto, há ideias, indícios, planos para desenvolvimento de ligações aéreas, desenvolvimento da conectividade do país. É isso que estamos a propor, abrir as possibilidades do destino, abrir o mundo a Cabo Verde.

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Vueling inaugura voos para Cabo Verde

O aeroporto do Sal recebeu no passado sábado, pela primeira vez, um voo de uma empresa low cost.

A companhia aérea Vueling aterrou no aeroporto do Sal às 16h30 e a bordo do Airbus A320 vinham 146 passageiros.

Uma lotação que Francisco Martins, administrador do Instituto de Turismo de Cabo Verde, considera boa, tendo em conta que a aeronave transporta um total de 180 passageiros.

Em declarações ao Expresso das Ilhas, após a chegada do avião, Francisco Martins considerou que a inauguração dos voos regulares da Vueling “marca o início de um novo capítulo no turismo em Cabo Verde”. “A entrada de voos low-cost era um objectivo antigo”, reconhece Francisco Martins.

O responsável do Instituto de Turismo disse ainda que “há contactos para o início de operações de mais companhias aéreas low cost” em Cabo Verde, mas escusou-se a adiantar quais, dizendo apenas que a próxima operação se deverá iniciar ainda este ano. “Em Outubro vai iniciar-se mais uma operação vinda da Europa, mas o governo, em breve, irá anunciar”. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1073 de 22 de Junho de 2022. 

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Autoria:Andre Amaral,25 jun 2022 8:00

Editado porAndre Amaral  em  26 jun 2022 7:19

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