
O Talaia-Baxu é um género musical e dançante nascido em Atalaia Baixo (Talaia Baxu), localidade da zona Norte da ilha do Fogo, no concelho dos Mosteiros. Por vezes aproximado da coladeira, distingue-se, contudo, por uma identidade própria, profundamente enraizada nos contextos populares foguenses.
Com origens nos finais do século XIX, acompanhou os momentos de convívio, lazer e celebração comunitária. Manifestação espontânea e colectiva, difundiu-se por toda a ilha, tornando-se uma das expressões culturais que melhor particularizam o modo de estar dos foguenses.
A sua primeira fixação fonográfica terá ocorrido em 1975, com o grupo Os Apolos, no disco “Apolos – Recordando”, marco importante na passagem do Talaia-Baxu do espaço comunitário para o registo em disco e para uma circulação mais alargada.
A instrumentação tradicional inclui violino, violões, viola de dez cordas e cavaquinho, definindo um som rústico e dançante, onde ritmo e memória caminham juntos.
Em 2022, foi instituído o Dia Nacional do Talaia-Baxu, celebrado a 1 de Fevereiro, data do nascimento de Adelina Gomes, conhecida como Bina Manzinha, figura maior e uma das mais marcantes expoentes deste género.
O 1 de Fevereiro, Dia Nacional do Talaia-Baxu, foi o pretexto para retomar este tema e repor a verdade factual, após uma falha minha na transmissão da informação.
Nota | Curtas – Apontamentos breves sobre lugares, gestos e episódios do quotidiano que o tempo tende a apagar.
– Manuel Brito-Semedo
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