
A palavra fez caminho entre São Vicente e a Praia, e é na capital que estas imagens a fixam – não como memória estática, mas como instante de passagem, onde a palavra se diz diante de outros e se expõe ao seu destino público.
No Mindelo, regressou ao lugar onde primeiro aprendeu a pensar – antes de mandar; na Praia, confrontou-se com o espaço onde hoje se decide entre governar, legitimar ou diluir-se no ruído. Entre as duas cidades não houve apenas deslocação, mas passagem: da origem simbólica da palavra crítica à sua responsabilidade pública.
Assinalar os 90 anos da revista Claridade não foi um gesto de memória, mas um exercício de exigência. Num tempo em que pensar o país com rigor já era uma forma de liberdade, a questão que permanece é outra: que uso fazemos hoje da palavra e que silêncio aceitamos como parte do seu exercício.
O livro cumpriu o seu percurso e entrou no seu lugar natural: o espaço público. É aí que a palavra deixa de ser intenção para se tornar responsabilidade. No fim, não é pelo que diz que se mede, mas pelo que sustenta.




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